Pastoral (Domingo, 01 de abril de 2007) Espinheira-Santa Teimosa infecção renal me derrubou, certa vez, por muitas horas, febre inclusive. Com todos os recursos da medicina moderna, meu lado tupiniquim, que foge de um estetoscópio como se fora um instrumento de tortura, optou pela terapia herbática. Dona Eunice, herbatóloga como poucos, veio em meu socorro. Ela sempre ia aos Pilares abastecer-se, porque, segundo ela, os melhores ervanários (vendedores de ervas medicinais) são os de lá. E de lá me trouxe um verdadeiro carregamento de espinheira-santa. Resumo dizendo que foi um "santo" remédio. Logo fiquei bom para outra! É tão bom remédio que em algumas regiões do país ela recebe nomes sugestivos: espinheira-divina, salva-vidas, sombra-de-touro, cancerosa, maiteno e limãozinho. Planta da família das celastráceas, chamada cientificamente de maytenus ilicifolia, é remédio bom contra muita coisa. Mas há um problema sério com a espinheira-santa. É o manuseio de suas folhas, já que têm muitos espinhos. Por isso, todo cuidado é pouco. É preciso lavá-las como em câmera lenta. A espinheira-santa lembra muito um certo tipo de crente. Ele é, sem dúvida, um remédio para a sociedade; dentro dele há um grande potencial de bênçãos. Mas é preciso se aproximar dele com todo o tato do planeta. Quase sempre ele nos recebe de modo agressivo. Lidar com ele no dia-a-dia é uma experiência exigente e... espinhosa. É quase necessário orar, preparar-se bem espiritualmente, antes de se lhe dirigir a palavra. Quando ainda era um crente imaturo, parece que Pedro também era intratável como espinheira-santa. Mas, transformado pelo Espírito de Deus, ele recomenda que tenhamos "um espírito manso e tranqüilo, que é precioso diante de Deus" (1Pd 3.4). Ora, se Pedro mudou tanto assim, há esperança para a pior espinheira-santa deste mundo. Se você é assim, ore francamente por si mesmo. Se você conhece algum crente assim, não fale mal dele; ore por ele.
Pr. João Soares da Fonseca
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