Pastoral

(Domingo, 01 de outubro de 2006)

Hoje é Dia de Faxina

Hoje à tarde eu vou votar, se Deus quiser. Sei que nesta hora crítica da história pátria, há quem não veja razão para isso. O desencanto se generaliza. O discurso de muitos candidatos toca as raias do ridículo. Velhas promessas se repetem com as mesmas velhas palavras; alguns nem se deram ao trabalho de utilizar um vocabulário novo. Já vimos esse filme antes: "lutarei por melhores salários", "isso tem que acabar", "acabarei com a violência em seis meses..." e por aí afora.

O desencanto, porém, não vai me impedir de votar. É meu privilégio de cidadão, que às vezes só se valoriza quando se perde.

Hoje à tarde eu vou votar. Não anularei meu voto. Se isso resolvesse, como por mágica, os nossos problemas, eu também faria isso. Mas não resolve. Anular o voto ou votar em branco é como dizer: "Quero que tudo continue do jeito que está". Se você quer isso, eu não. Sou teimoso quando se fala de esperança. Mais cedo ou mais tarde, a gente acaba acertando e elegendo pessoas honestas que vão usar com probidade e inteligência o dinheiro do povo.

Hoje à tarde eu vou votar. Mas não vou esquecer o nome em que vou votar. Eu sei que quase ninguém se lembra em quem votou na última eleição. Acompanharei os passos do meu candidato, se ele for eleito. Se ele, por qualquer razão, votar depois contra o bem-estar comum, se ele confundir coisa pública com cosa nostra, como disse certa vez Franco Montoro, eu vou cobrar isso dele por e-mail, carta, telefone, sei lá. Se a corrupção chegou aonde chegou, é porque eu nunca fiz isso antes. Nunca me importei com o que o "meu" representante fizesse. "Tanto faz!", eu pensava. Acho que se todo mundo fizer isso, os candidatos vão se sentir tão "perseguidos", que vão pensar setenta vezes sete antes de se lançarem candidatos. Os sanguessugas em potencial não vão agüentar tanto interesse e vão cair fora. Será uma faxina sem violência. E quem é que não deseja uma política limpa?

Pr. João Soares da Fonseca