Pastoral

(Domingo, 04 de fevereiro de 2007)

Não Irrite a Taraquá

Nascido em Piacenza, Itália, em 1852, o conde Ermano Stradelli mudou-se para o Brasil. Embora advogado, gostava tanto de geografia que acabou se apaixonando pela região amazônica e se tornou um dos maiores estudiosos dessa região, na passagem do século XIX para o XX. Por assim amar "o pulmão do mundo", Stradelli se transferiu para lá, com seus bens e tudo, e até se naturalizou brasileiro. Mediu terras, cruzou rios, conheceu índios e aprendeu-lhes os idiomas. Chamado pelos índios de "filho da grande serpente" - o rio Amazonas -, morreu em 1926, no leprosário de Umirisal, próximo a Manaus. A ele se atribui o desenho do atual mapa do Amazonas. Stradelli dominou tão bem o tupi, ou nheêngatu ("fala boa"), que publicou um dicionário dessa língua para o português e vice-versa. É nesse dicionário que vamos encontrar o verbete taraquá.

Que bicho é esse?

Stradelli responde: "Casta de formiga que, irritada, exsuda (solta) uma substância que empesta, com o seu mau cheiro, tudo que toca e por onde passa... Carnívora, onde ela se aninha não consente que suba qualquer outra espécie de formiga, nem deixa vingar qualquer larva deinseto...".

Parece que essa formiga é muito comum por lá, pois até virou nome de distrito, em São Gabriel da Cachoeira, no alto Rio Negro.

É triste que um bichinho tão pequeno possa ser tomado como metáfora do comportamento humano ao alienar-se de Deus. Sim, a taraquá, infelizmente, não existe apenas na verdura da Amazônia. Ela está em toda parte. E não é apenas formiga. Pode ser até gente. Homens e mulheres que, mesmo freqüentando igreja há anos, ouvindo o evangelho há anos, ainda assim exibem as mesmas características dessa formiga anti-social: agressividade, egoísmo e mau cheiro. Ensina a Palavra de Deus que ao contrário desse comportamento, devemos ser mansos, altruístas e exalar bom perfume, já que, como Paulo nos descreveu, nós somos "o bom perfume de Cristo" (2Co 2.15).

Pr. João Soares da Fonseca