Pastoral (Domingo, 04 de março de 2007) A Paciência do Juiz Em 1961, o negro Adalton seguia de ônibus desde Vitória para Nova Venécia, no Norte do Espírito Santo. Em São Gabriel da Palha, o ônibus fez breve parada para lanche. Adalton desceu. Ao retornar, havia dois homens na sua cadeira e na de sua esposa. Educadamente informou que aqueles lugares já lhe pertenciam. Mas eles se recusaram a sair. Foi preciso chamar o motorista, que veio e convenceu os homens a se sentarem noutros lugares, que os havia vazios. Os novos companheiros de viagem, porém, acharam um insulto um negro ter tanto direito quanto um branco e passaram o resto da viagem zombando dele, fazendo comentários desrespeitosos, dizendo que os negros só faziam coisas erradas, e foram por aí, rindo e produzindo chacota. Adalton não revidou. Seguiu calado toda a viagem até o fim. Em Nova Venécia, desceu do ônibus, chamou os policiais de plantão, identificou-se e deu uma ordem: - Recolham esses homens por desrespeito; quero vê-los amanhã no fórum, às 13h. O Dr. Adalton Santos, primeiro juiz negro na história do Espírito Santo, crente como poucos, transferia-se para Nova Venécia justamente para assumir a vaga de juiz titular daquela comarca. No fórum, no dia seguinte, liberou os provocadores, mas aproveitou para ensinar-lhes uma lição que, até hoje, muita gente reluta em aprender: que todos os seres humanos são iguais e merecem respeito. Todos merecem respeito simplesmente pelo que são, e não porque sejam ricos, e não porque sejam brancos, e não porque tenham uma profissão importante, e não porque sejam do sexo masculino. Jesus amava as pessoas, qualquer que fosse a cor da pele, o sexo, a idade ou a condição social. No tempo dele, ninguém ligava para as crianças. No entanto, Ele as amou. As mulheres eram consideradas um objeto, um item na lista de bens de um homem. No entanto, Ele as valorizou. Bastava ser pessoa humana para receber o respeito de Jesus. Imitemos o nosso Mestre. Pr. João Soares da Fonseca
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