Pastoral

(Domingo, 04 de novembro de 2007)

O Cachorro, a Lua e o Canal

Brian Cavanaugh conta, num de seus livros, a história de um político que resolveu fazer o melhor governo possível em favor do seu povo. Entretanto, como todo ser humano, ele também cometia erros, e por isso era muito criticado. Os jornais, por exemplo, transformavam esses erros em reportagens muitas vezes impiedosas. O político ficou tão decepcionado que resolveu viajar para o interior do país onde morava um fazendeiro, velho amigo seu.

- Que farei? - lamentava-se o político. - Eu tenho me esforçado, tenho tentado fazer o melhor que posso. Ninguém, antes de mim, tentou fazer tanta coisa para o maior número de pessoas como eu. E agora... veja como sou criticado! Essa gente é mesmo ingrata!

O velho fazendeiro mal podia ouvir as reclamações do amigo, porque perto deles um cão latia desesperadamente contra a lua cheia que iluminava o céu e a terra. O velho tentou fazer calar o cão, mas nada conseguia; o cão latia ainda mais. Por fim o fazendeiro virou-se para o amigo e disse:

- Quer mesmo saber como lidar com as críticas injustas que vem recebendo? Dê uma olhada! Está vendo esse cachorro latindo desse jeito contra a lua? Agora veja a lua. As pessoas sempre vão lhe criticar. Aí está a lição: o cachorro continua latindo, mas a lua continua brilhando!

Dizem que a construção do Canal do Panamá foi marcada por muitas dificuldades: acesso, clima, doenças, etc. Mas o que mais perturbou os construtores foram as críticas. Palavras desanimadoras vinham de todo lado. Chegou-se mesmo a dar à obra o nome de "tarefa impossível".

O responsável pela obra, porém, o Coronel George Washington Goethals, não se incomodava com as críticas.

- O senhor não vai responder a essa gente? - quis saber um trabalhador.

- No tempo certo! - respondeu Goethals.

- Como?

- Com o canal.

No tempo certo, 15 de agosto de 1914, o Canal do Panamá foi inaugurado. Todas as críticas estavam respondidas.

Pastor João Soares da Fonseca

jsfonseca@pibrj.org.br