Pastoral (Domingo, 05 de julho de 2009) O Rei Está Morto - I A morte súbita de um grande astro da música pop, como Michael Jackson, no dia 25 de junho último, não pode passar despercebida por alguém que esteja vivendo no século 21. Até porque, a mídia não dá trégua. No planeta inteiro, em qualquer língua, a morte de M. J. é manchete. Conjugando voz e vídeo, como ninguém antes dele, M. J. foi descrito por vários críticos de sua arte como "o artista completo". Sua performance deixava a impressão de que seu corpo fosse mais de borracha que de qualquer outro material. É impossível, porém, falar de M.J. sem se referir à sua tragédia pessoal. E é daí que vamos respeitosamente retirar algumas lições. Por exemplo, publicou-se, à exaustão, que o menino Michael carregava nas costas o grupo composto por seus irmãos, os Jackson Five. Sabe-se agora que o talento natural do menino era espremido e explorado pelo cinto com que o pai, Joseph Jackson, ameaçava os filhos. Em 1993, em entrevista a Oprah, o cantor afirmou que na infância chorou muitas vezes de solidão, e que bastava ver o pai para vomitar. Ora, criança precisa ser criança, precisa ter infância. Comentando dedicação extrema de um jovem que se formou engenheiro dias atrás, a própria mãe dizia: "Ele sempre gostou de estudar. Dizíamos a ele: 'Menino larga esse livro; vá brincar'. O próprio pai dizia: 'Menino, vá soltar pipa, vá quebrar uma vidraça'". Não exageremos, mas privar a criança de brincar é implodir o seu mundo. Almir Rosa acertou na mosca ao escrever, em 1980, o hino que todos amamos: "Jesus foi criança como eu" (HCC-110). O pai carrasco de Michael Jackson bem que podia ter escutado Paulo quando diz: "Vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos..." (Ef 6.4). Disciplina é uma coisa; terrorismo é outra!
Pr. João Soares da Fonseca (A cópia dessa matéria em outros sites não está autorizada) webmaster@pibrj.org.br
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Pr. João Soares da Fonseca
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