Pastoral

(Domingo, 07 de outubro de 2007)

Preço de Viver por Princípios

Vivemos num mundo em que a verdade parece ter se tornado personagem de picadeiro, coisa de circo. Nossos dias lembram os de Isaías, que disse: "...a verdade anda tropeçando pelas ruas" (Is 59.14). Muita gente zomba dos que tentam pautar a sua vida por princípios sólidos e coerentes.

Em 1940, quando a França foi invadida pelos tanques de Hitler, milhares de judeus, temendo por suas vidas, dirigiram-se à embaixada e postos consulares portugueses na França, mendigando um visto de entrada para Portugal. As ordens do ditador português António Salazar eram claras: que os vistos fossem negados. No entanto, contrariando essas instruções e correndo todos os riscos, o diplomata Aristides de Sousa Mendes, cônsul português em Bordéus, na França, concedeu esses vistos em grande número. Foi um dia histórico aquele 16 de junho de 1940, pois nele o diplomata tomou a arriscada decisão de dar visto de entrada a todos os refugiados que o solicitassem: "A partir de agora, darei vistos a toda a gente, já não há nacionalidades, raça ou religião". E com a ajuda dos filhos, sobrinhos e do rabino Jacob Kruger, ele mesmo carimbou passaportes e assinou vistos, usando todas as folhas de papel disponíveis. Confrontado com os primeiros avisos de Lisboa, ele teria dito: "Se há que desobedecer, prefiro que seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de Deus".

Salazar viria a demitir Aristides, retirando-lhe os direitos à totalidade da pensão da aposentadoria. O ex-cônsul acabou por passar o final da sua vida na miséria em Portugal. Por sua audácia, Aristides de Sousa Mendes é com razão chamado o "Oskar Schindler português", embora tenha contribuído para salvar muito mais pessoas que o próprio Schindler.

O que é mais importante: salvar vidas ou ganhar dinheiro? Graças a Deus, ainda há muita gente que não dobrou os joelhos perante Mamon, o deus das riquezas! Você é um deles?

Pastor João Soares da Fonseca

jsfonseca@pibrj.org.br