Pastoral

(Domingo, 08 de abril de 2007)

Coelho ou Cordeiro?

Em 1993, li no Jornal do Brasil um artigo sobre a celebração da Páscoa em todo o mundo. Para o articulista, ela está ligada à chegada da primavera no Hemisfério Norte, à saída dos hebreus do Egito e a rituais do paganismo de algumas culturas. Mas em nenhum momento o nome de Jesus foi citado no referido texto. Os coelhinhos, sim. Jesus, não.

A má vontade de certos segmentos da mídia diante de temas religiosos se explica com uma palavra: incredulidade. Ora, onde já se viu, num país chamado cristão, discorrer-se sobre o evento da Páscoa, sem se mencionar o protagonista da história. É o mesmo fenômeno por ocasião do Natal, em que Papai Noel, neve, árvores e presentes roubam o lugar do bebê de Belém. Na Páscoa, o herói secular é um coelhinho que, se na vida real não bota ovo, nessa época do ano superlota lojas, supermercados e camelôs com o "seu" ovo de chocolate, para alegria de fabricantes e comerciantes em geral.

Filhos de Deus, precisamos esclarecer as pessoas sobre o significado da Páscoa. É preciso denunciar à nossa geração o seu equívoco e dizer-lhe que Páscoa não é coelho, nem ovo, nem chocolate. Que Páscoa é Jesus humilhando a morte, deixando vazio o túmulo do Arimatéia. Que Páscoa é "o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29), completando a obra salvífica de redenção da humanidade.

A vida nova de Jesus deveria provocar em nós o desejo de também vivermos "em novidade de vida". Seguir a Cristo é aceitar o desafio de viver de modo diferente do mundo; é afinar o instrumento de nossas vidas pelo diapasão do céu; é pisar o chão mas com os olhos no azul. É viver não mais para nós mesmos, mas para aquele que nos amou. É refletir a grandeza de Deus nas pequenas coisas. É implantar na terra um clima de céu. Que Páscoa é essa que não faz ninguém "pensar nas coisas que são de cima"? Eis aí a contradição da Páscoa dos incrédulos: Uma festa cristã que nada tem a ver com Cristo. Quem entende isso?

Pr. João Soares da Fonseca