Pastoral

(Domingo, 8 de julho de 2007)

O Retorno da Palavra

Estando de férias em 1998 e estando em Vitória, fui participar do culto da noite na Igreja Batista da Praia do Canto. Soada a última nota do poslúdio, surpreendo-me com uma saudação em árabe, vinda do banco de trás. Mauro Marques trabalhara conosco nos dois anos de permanência no Iraque (1981-1983). Concluídos os salamaleques e rapapés próprios de quem não se vê faz tempo, Mauro pede que me assente para ouvir a história que me vai contar.

- Se lembra do engenheiro Maurício, lá do Iraque?

Espremo os olhos, tento de todo jeito, mas não me consigo extrair um rosto do banco de dados da memória. Não importa! Mauro conta que foi procurado por uma senhora, alguns meses antes. Sendo ela da "elite" social do acampamento da Mendes Júnior, no Iraque, não iria freqüentar os nossos cultos lá. Mas toda sexta-feira tínhamos um momento na tevê, que mesmo operando em circuito fechado, entrava nos lares e alojamentos dos cerca de 4.000 brasileiros que ali viviam. Foi assim que essa senhora começou a ouvir falar de Jesus. Voltando ao Brasil, foi batizada na Primeira Igreja Batista de Vitória, mas se mudara para Belo Horizonte.

Mauro me conta tudo não sem uma ponta de emoção, que acaba me contagiando. Como se seus olhos mareados dissessem:

- Pastor, vale a pena pregar o Evangelho!

Nos dois anos do Iraque, batizei 16 irmãos brasileiros na correnteza histórica do rio Eufrates. Mas aos poucos vou descobrindo, aqui e ali, outros frutos daquela semeadura, de cuja existência não tinha a menor idéia. Creio que esta será mais uma deliciosa surpresa do céu: conheceremos lá todos os frutos que nossos ministérios geraram aqui na terra, diretamente ou não. Pois como registrou Isaías, a Palavra de Deus não voltará para o céu vazia (Is 55.10,11).

Enquanto viver, quero viver pregando o Evangelho! Que tal evangelizar alguém nesta próxima semana?

Pastor João Soares da Fonseca

jsfonseca@pibrj.org.br