Pastoral (Domingo, 09 de novembro de 2008) O Silêncio dos Bons Se estivesse vivo, o pastor presbiteriano Elijah Lovejoy completaria hoje 206 anos. Mas sabemos que os pós-diluvianos mal chegam à metade disso. Lovejoy morreu em 1837, em triste circunstância: uma multidão em fúria o atacou na cidade de Alton, Illinois. E por que morreu tão jovem, com apenas 35 anos? Filho de um pastor congregacional, Lovejoy envolveu-se de corpo e alma na campanha abolicionista norte-americana. Desde cedo mostrou vocação para o jornalismo, e foi redator de importantes jornais em S. Louis, Missouri. Lembrando que Missouri é um Estado do Sul, e o Sul era escravista. Como jornalista, Lovejoy escreveu muito contra o instituto da escravatura. Em maio de 1836, criticou severamente a decisão de um juiz, Luke E. Lawless, que absolveu alguns indivíduos acusados de lincharem um negro. Expulso da cidade, Lovejoy mudou-se para Alton, Illinois. Sendo um Estado do Norte, Illinois não permitia a escravidão. Mesmo assim, o parque gráfico de seu jornal foi destruído três vezes por militantes pró-escravidão. Na última tentativa, a multidão quis atear fogo às instalações da gráfica. Tentando salvar o patrimônio, Lovejoy foi alvejado com cinco tiros, perdendo a vida no local onde trabalhava. Elijah Lovejoy passou à história como mártir da abolição, e seu nome se tornou sinônimo e bandeira da liberdade de expressão. Por que estou falando de um norte-americano de quem mesmo muitos patrícios seus jamais ouviram falar? Porque Lovejoy é um exemplo de como o evangelho pode interferir em nosso cotidiano. Seria mil vezes mais cômodo e seguro o jovem jornalista e pastor fechar os olhos para a mácula da escravidão e fingir que não estava vendo a injustiça de se possuir e comerciar escravos. Pouco mais de um século depois, outro pastor, o negro Martin Luther King Jr., iria dizer esta frase, agora famosa: "O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons".
Pr. João Soares da Fonseca (A cópia dessa matéria em outros sites não está autorizada) webmaster@pibrj.org.br
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Pr. João Soares da Fonseca
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