Pastoral (Domingo, 10 de agosto de 2008) Milagre na Rua Silva Xavier A família dorme placidamente no silêncio da madrugada. De repente, como quem é despertado por um anjo invisível, o pai salta do leito e consulta o relógio: passam das três da manhã. Em seguida, dirige-se à cama onde deve estar dormindo o filho caçula. Mas o caçula não está, nem está dormindo. O susto do leito vazio empurra o pai para a prece. Era como se o impulso de orar teimasse dentro de sua preocupação. E ele cede. Ajoelha-se ali e conversa longo tempo com o Pai sobre o filho. Nessa mesma hora, não muito longe dali, o filho caçula vem caminhando por um deserto chamado então Avenida Suburbana. Cansado, traz no peito a desilusão com os enfeites e fulgurações da noite. Se a cidade já é violenta com o sol a pino, quanto mais de madrugada! O rapaz dobra a esquina e segue pela rua Silva Xavier. De súbito, um carro diminui a velocidade e se põe lado a lado com ele. Tão perto, que ele consegue entreouvir a discussão que se trava entre aqueles homens armados até os dentes: - É ele! - Não é! - É, sim! Vai, queima logo, queima logo! - Não é, eu já disse! Vocês vão matar o homem errado! Esta última afirmação - feita pelo motorista do bando - é seguida de uma arrancada, queimando pneu. O solitário pedestre da rua Silva Xavier escapou por um triz. Por um milagre. Susto e felicidade se revezam dentro do rapaz, enquanto as armas desaparecem desesperadas na noite da Abolição. Severino Passos sempre soube do poder da oração. Mas, em 1999, quando Marcos lhe contou o aperto que passara nessa noite, Severino, então membro da Primeira Igreja Batista de Cascadura, descobriu que a oração dos pais pode muito em seus efeitos a favor dos filhos. Feliz é o filho que tem um pai sempre orando por ele. Às três da tarde ou às três da manhã!
Pr. João Soares da Fonseca (A cópia dessa matéria em outros sites não está autorizada) webmaster@pibrj.org.br
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