Pastoral

(Domingo, 10 de setembro de 2006)

Eu Sou Spartacus

No Império Romano havia mais escravos que cidadãos livres. Uns 60 milhões, dizem. Hollywood fez, em 1960, um filme sobre um deles. Spartacus (pronuncia-se Espártacos) foi dirigido por Stanley Kubrick, adaptando o romance de Howard Fast.

O escravo Spartacus (Kirk Douglas) existiu de fato. Gladiador experiente, liderou uma revolta de escravos no ano 72 A.C.. Por dois anos, chegou a reunir 70 mil escravos, segundo uns, ou 120 mil, segundo outros, tendo derrotado duas legiões romanas.

A causa de Spartacus, porém, estava condenada. O general Marcus Licinius Crassus (Lawrence Olivier) esmagou-a, matando crianças, mulheres e anciãos. Seis mil homens que sobreviveram foram presos e crucificados ao longo da Via Ápia, desde Cápua até Roma. Serviriam, assim, de exemplo ao restante do império.

Hollywood imaginou uma bela cena, que a história talvez não confirme. Quem era exatamente Spartacus? O exército não sabia. Sabiam-lhe o nome, a procedência, a coragem, mas se passassem por ele na rua, não o saberiam reconhecer. Ao capturar os homens, o general romano, quis conhecer pessoalmente o chefe do movimento e apresentou-lhes o desafio:

Digam-me quem de vocês é Spartacus, e o resto será poupado. Ou todos serão crucificados.

Silêncio. Spartacus se levantou para se identificar, mas outros homens se levantaram com ele e, um por um, foram bradando "Eu sou Spartacus", "Eu sou Spartacus", "Eu sou Spartacus"... até que todos se levantaram, repetindo quase em uníssono "Eu sou Spartacus". Todos foram crucificados.

Ficção ou realidade, o gesto suicida dos escravos é exemplo de identificação absoluta com uma causa. Seguir Spartacus, para eles, não era brincadeira, mesmo que implicasse pena de morte.

Nestes tempos de religião fácil, de cristianismo água com açúcar, é bom examinar o nosso grau de compromisso com Cristo. É Ele de fato a nossa razão de viver e morrer?

Pr. João Soares da Fonseca