Pastoral

(Domingo, 11 de junho de 2006)

Chorando Junto

O apóstolo Paulo recomendou que os crentes se alegrassem com os alegres e chorassem com os tristes (Rm 12.15). Em seu comentário aos Romanos, William Barclay cita um escritor não-identificado, que nos narra uma história envolvendo uma senhora norte-americana e a escrava de um vizinho.

Foi na cidade de Charleston, na Carolina do Sul, ao tempo da escravidão.

Certo dia, a senhora branca encontrou a escrava na rua. Entre elas travou-se o seguinte diálogo:

- Sinto muito que a sua tia Lucy tenha morrido. Você deve estar sentindo muito a falta dela, não? Afinal, vocês pareciam ser muito amigas disse a branca.

- Sim, sinhá. Lamento a morte dela. Mas não éramos tão amigas.

- Como não? Pensei que fossem. Vi vocês rindo e conversando tantas vezes!!!

- Isso mesmo! disse a escrava. Rimos e conversamos muitas vezes, mas éramos apenas conhecidas. Sabe, sinhá Rute, nós nunca choramos juntas. Para serem verdadeiramente amigas, as pessoas precisam chorar junto.

O escritor Leo Buscaglia conta que certa vez foi convidado a participar de um júri num concurso que escolheria a criança mais amorosa.

O vencedor foi um menino de quatro anos que era vizinho de um ancião. O ancião havia perdido naqueles dias a esposa, companheira de muitas décadas. O garotinho então, vendo o ancião chorar, foi à casa deste e começou a fazer-lhe um carinho, consolando-o. Tendo visto a cena, a mãe perguntou mais tarde ao garotinho o que é que ele havia dito ao ancião. Resposta do menino: "Eu não disse nada, mamãe; eu só o ajudei a chorar".

Solidariedade é isso: chorar junto; é chorar com os que choram.

Pr. João Soares da Fonseca