Pastoral (Domingo, 13 de julho de 2008) Crianças Entediadas John Rosemond era colunista de jornal e psicólogo que trabalhava com famílias. Visitou muitos países e sempre perguntava aos pais: "Os seus filhos reclamam de tédio?" Invariavelmente a resposta era NÃO. Na verdade, alguns pais até riam da pergunta, como a dizer: "Tédio? Tédio e criança não combinam". Rosemond também gostava de perguntar aos pais que criaram filhos nas décadas de 40 e 50: "Quando seus filhos eram crianças, eles se queixavam de tédio?" Resposta típica que ele recebia: "Raramente!". Noutra pesquisa, Rosemond perguntava aos pais de meia-idade: "Quantos brinquedos você tinha quando era criança?" As respostas variavam de zero a dez, mas recebeu algumas respostas assim: "Brinquedo? Que nada! A gente pegava uma caixa de papelão e inventava qualquer coisa!". Rosemond fazia então um contraste: Em cinco anos de vida, uma criança norte-americana hoje já acumulou 250 brinquedos. Já que essa criança viveu 260 semanas, é quase um brinquedo por semana. Mesmo assim, diz ele, essa criança não sabe o que fazer com o seu tédio. Engana-se, porém, quem pense que só crianças se cansam de ter coisas. O tédio do excesso de coisas ataca também, e principalmente, os pais das crianças. Demora algum tempo, mas eles também logo descobrem que a felicidade não está num guarda-roupas cada vez maior ou mais requintado; não está na troca de carro a cada ano ou em comer fora toda semana. Independe, como disse Marx na primeira frase de O Capital, de se possuir uma "...imensa coleção de mercadorias". Porque assim como uma infância feliz não consiste nos brinquedos de que uma criança disponha, como afirmou Jesus, "...a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que possui" (Lc 12.15b).
Pr. João Soares da Fonseca (A cópia dessa matéria em outros sites não está autorizada) webmaster@pibrj.org.br
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