Pastoral

(Domingo, 13 de agosto de 2006)

Galinhas Assustadas

Em 2001, passava na tevê canadense uma propaganda muito engraçada. Era anúncio de ração para galinhas.

Um veterinário entrevistava duas... galinhas. Isso mesmo: duas galinhas. Calmamente sobre a mesa, elas pareciam, de fato, estar entendendo a conversa. E pelos trejeitos pareciam responder às perguntas dele. A última pergunta que ele fez a elas foi:

- Vocês têm idéia do tipo de comida que eles estão dando pra vocês, não têm?

As galinhas se entreolhavam, como em dúvida. O veterinário passava-lhes então uma folha contendo presumivelmente uma descrição do que elas estariam recebendo como ração. Elas abaixavam a cabeça na direção do papel, como se o lessem. Segundos depois, levantavam a cabeça bruscamente, soltando um pio de susto.

Rio só de lembrar, mas penso na importância do que comemos. Nestes tempos agitados, todos deveriam estar de olho no que entra pela boca. Felizmente espalha-se a consciência de que muito de nossa saúde depende do que ingerimos diariamente.

No âmbito da fé não é diferente. A Bíblia diz que "nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4.4; Dt 8.3). Preocupa-me que muita gente hoje não esteja se alimentando do pão "que sai da boca de Deus". A Bíblia não tem sido o alimento de muita gente. Alguns crentes se abastecem apenas do que ouvem em CDs. Tudo bem, se não for a única fonte de alimentação espiritual. Outros, pelo que ouvem no rádio ou vêem na tevê. O analfabetismo bíblico contemporâneo só não é pior do que o medieval. Está certo que na Idade Média não havia imprensa, e poucos sabiam ler. Mas a ausência da Bíblia deu no que deu: uma igreja corrompida, carnal, supersticiosa, perseguidora, assassina, desviada do cerne do evangelho. Será que vamos repetir essa triste história? Quando uma igreja não valoriza o estudo bíblico, já começou a repetir a triste história. Que o Senhor aumente em nós a fome por sua Eterna Palavra!

Pr. João Soares da Fonseca