Pastoral

(Domingo, 15 de outubro de 2006)

Onde Está a Droga?

Talvez você já tenha visto o filme O Grande Gatzby. O autor do livro que virou filme é F. Scott Fitzgerald. Em 1936, Fitzgerald registrou e comentou em artigo uma frase que os franceses gostavam muito de repetir então: "Se você pensa que o mundo é uma droga, não esqueça que a droga é você". O original, em vez de droga, traz um palavrão, que estou, evidentemente, substituindo. Mas a sabedoria do recado permanece a mesma.

Por que sabedoria?

Porque é muito fácil, é convenientemente cômodo culpar os outros pelos nossos fracassos. Se o País é o que é, culpados, dizemos, são os colonizadores portugueses, culpado é o catolicismo, o capitalismo, o Congresso, a alienação do futebol... Quem sabe não é o sol tropical, que nos anestesia e nos embala o ócio?!

A transferência da culpa pode ocorrer também em casa. É o marido, que só vê defeito na pessoa e na performance da esposa. É a esposa, que vive dizendo que "o problema é dele". São os filhos, que teimando em não crescer, apontam o indicador para os pais, como a dizer: "Vocês estragaram a minha vida".

Esta atitude me lembra uma musiquinha da década de 70, sucesso nas paradas, cuja letra também já desconversava: "Eu sou rebelde, porque o mundo quis assim...".

O fenômeno se repete na igreja. Culpado é o pastor, que não vê isso, que não faz aquilo... E por que os diáconos não procedem deste ou doutro modo?

Até nisso saímos a cara do nosso pai primeiro. Adão culpou Eva, que culpou a serpente. Arão fez um bezerro de ouro e cedeu ao impulso de idolatria dos israelitas. Chamado a prestar contas, saiu-se com esta pífia explicação: "Culpado é o fogo".

A grandeza do homem está no admitir suas falhas. É o primeiro passo para a construção de lares lapidares, igrejas impactantes e um país próspero.

O problema não está nos outros: está em mim. E a solução também. Que o Senhor nos aperfeiçoe também nessa área!

Pr. João Soares da Fonseca