Pastoral

(Domingo, 16 de julho de 2006)

Revirando a Lata de Lixo

Cristo ou esterco? A alternativa parece desrespeitosa. Mas foi Paulo quem a elaborou em Filipenses 3.8, ao dizer: "...tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco para que possa ganhar a Cristo" (Rev. e Corrig.). Paulo usou a palavra esterco. Chocante, não é? Pode até ser, mas é bem realista. Ou Jesus é toda a nossa riqueza e toda a nossa glória, ou ainda estamos revirando lata de lixo espiritual. Para Paulo, seu sangue "nobre" de judeu, sua elogiável ficha religiosa, sua acadêmica educação eram isso mesmo: esterco. Lixo. Sucata. Refugo.

Não consigo imaginar um profissional bem-sucedido, de paletó e gravata, pastinha 007 na mão, acocorado junto a um depósito de lixo, revirando as sobras imundas da cidade.

Não consigo imaginar uma senhora elegante a disputar aos cães a escória abandonada num terreno baldio. Surrealista demais? Mas não é assim mesmo que os homens têm se portado? Como Judas, não têm muitos negociado o Senhor, vendendo-o ainda por menos que trinta míseras moedas?

Deixada na carne, sem a influência transformadora da graça de Deus, parece que a humanidade preferirá sempre o esterco, seja ele em cores ou preto-e-branco. Venha em prosa ou em verso. E se vem embrulhado com uma linguagem erudita, com aparência de cultura, tanto mais calorosa a recepção.

O estrume está nos bares, nas escolas, nas mansões e nos barracos, nas telas do cinema e da tevê. Pesa nas cabeças e nos corações. Meu Deus, que vergonha, algumas vezes é estrume até mesmo o que se vê em algumas igrejas.

Senhor, ajuda-nos a preferir Cristo a qualquer outra realidade. Ajuda-nos a pôr o resto no seu próprio lugar!

Pr. João Soares da Fonseca