Pastoral

(Domingo, 16 de novembro de 2008)

Hematofagia e Paz na Igreja

Não há, neste mundo, igreja local sem problemas. Mesmo na Igreja de Jerusalém, enfrentaram-se problemas como perseguição (At 4), mentira (At 5), reclamação (At 6), preconceito racial (At 10.34), só para citar alguns. Em Atos 15, porém, o problema era mais grave, já que comprometia o arcabouço doutrinário da fé cristã. Contrariando o ensino dos apóstolos, alguns cristãos judeus saíram pelas igrejas dos gentios pregando que a circuncisão era necessária para a salvação (At 15.2); que só a graça não seria suficiente (At 15.11). A soteriologia (doutrina da salvação) recebia, assim, um duro golpe.

Em ordeira reunião, a igreja considerou o assunto e concluiu que deveria enviar carta às igrejas com as instruções derivadas do consenso. A essência da recomendação era que ficassem longe da idolatria, da imoralidade, "da carne de animais sufocados e do sangue" (At 15.20, 29). A idolatria e a imoralidade, a gente entende. Mas e o sangue? Por que não-judeus deveriam observar práticas judaicas, se o Novo Testamento nada institui sobre a dieta do cristão?

Acontece que para a comunidade judaica, o comer sangue equivaleria a cometer-se o pecado imperdoável. Se um judeu visse alguém comendo sangue, ficaria tão ou mais chocado que crentes brasileiros quando vêem um crente americano fumando.

A solução do conflito que se esboçava em Atos 15 passou por uma espécie de negociação: os judeus não imporiam a circuncisão aos gentios, e os gentios, por sua vez, respeitariam a consciência dos judeus, evitando comer sangue. Mais tarde, o princípio do respeito à consciência do outro seria mais claramente exposto por Paulo: "É melhor não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outra coisa qualquer que se torne motivo para que teu irmão tropece" (Rm 14.21).

Que este princípio continue vigorando entre nós! Pois quando se trata da paz e da unidade da igreja, todo sacrifício é pouco!

Pr. João Soares da Fonseca
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Pr. João Soares da Fonseca

Pr. João Soares da Fonseca