Pastoral (Domingo, 17 de dezembro de 2006) Cuidado com as Ofertas Quando dezembro desembarca em nossas vidas, respiramos o clima do Natal e do fim do ano. Mas esse desembarque quase sempre é nocivo ao bolso. O comércio se desespera em nos bombardear com os seus milhares de produtos, dizendo que devemos aproveitar essa ou aquela oferta e... comprar, comprar, comprar. Além disso, somos incentivados a dar presentes aos que nos são caros. Dar presentes é boa prática, mas tem o seu preço. E certamente o comércio vai explorar esse lado afetivo das comemorações. Atraídas pelas facilidades das promoções, muitas pessoas se endividam em dezembro e já entram o ano seguinte comprometidas com os gastos dispendiosos que tiveram. É a tentação de usar o cartão de crédito, de utilizar o cheque especial, de comprar tudo a prestação. Paulo não contraía dívidas: "A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros..." (Rm 13.8). Por que colocar o chapéu onde não alcançamos? É a mesma idéia que o sábio já sublinhava: "Não estejas entre os que se comprometem, e entre os que ficam por fiadores de dívidas, pois se não tens com que pagar, deixarias que te tirassem até a tua cama de debaixo de ti?" (Pv 22.26-27). Temos horror a esse câncer social que são as drogas. Mas as dívidas não ficam atrás. Não é à toa que no espanhol do Chile, do México e do Peru, a idéia de endividar-se se diz de um modo chocante: endrogarse. Assim como para viver com saúde e liberdade, o jovem precisa fugir das drogas, todos nós precisamos também aprender a domar um impulso selvagem que escoiceia dentro de nós, que é o de consumir, endividando-se. Shakespeare escreveu que "aquele que morre paga todas as suas dívidas". Que tal orar para que você resista à tentação de possuir coisas?! E assim, não será preciso ter que morrer para pagar as dívidas. Seja fiel a Deus: entregue o dízimo, controle seu instinto comprador e tenha... um feliz Natal, sem comprometer o Ano Novo!
Pr. João Soares da Fonseca
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