Pastoral (Domingo, 19 de agosto de 2007) Sifrá e Puá De um lado, um rei arrogante. Considera-se superior a todos, um deus. Ostenta riqueza e poder. Quer ver o povo medroso e submisso. Pretende ser imortal, mas desrespeita a vida dos outros. Como um sinal da sua falibilidade, porém, a Bíblia nem registra seu nome. Trata-o apenas pelo título genérico de faraó, nome que para nós seria "casa grande", conforme o dicionário Houaiss. Do outro lado costumamos colocar Moisés, o Libertador. Com boa vontade, ajuntamos Arão, seu irmão. Homens rudes, que Deus usa com poder no cumprimento da missão supostamente impossível: "Deixa o meu povo ir" (Êx 5.1). Mas cuidado! Saltamos um capítulo da história, e nem percebemos. Que o faraó faça isso é até compreensível, porque é um mau aluno: "Depois o Egito teve um novo rei que não sabia nada a respeito de José" (Êx 1.8). Desconhecer a história é errar mais facilmente. Achando-se senhor da vida, o rei dá uma ordem às parteiras das hebréias: "Quando vocês forem ajudar as mulheres israelitas nos seus partos, façam o seguinte: se nascer um menino, matem; mas, se nascer uma menina, deixem que viva" (Êx 1.16).
Aqui o faraó tropeça. (...) Não imagina que essas duas mulheres não dobrarão suas consciências a uma ordem absurda. Elas são parteiras. Têm respeito pela vida que pulsa em cada bebê que chega ao mundo por suas mãos. E principalmente, elas temem a Deus, a autoridade maior. Por isso, são capazes de afrontar faraó sem medo (Êx 1.17-21). Ao contrário do faraó anônimo, essas mulheres são identificadas na Bíblia por toda a eternidade: Sifrá e Puá. "Moisés e Arão... eram da mesma região... Se Sifrá e Puá tivessem feito o seu trabalho conforme as ordens do faraó, Moisés e Arão teriam morrido ao entrar no mundo" (Eugene H. Peterson, em "A maldição do Cristo genérico", p. 178). Na história da salvação da qual fazemos parte, não dá para saltar nenhum capítulo! (Pr. Ivo Seitz, Porto Alegre. Usado com permissão).
Pastor João Soares da Fonseca
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