Pastoral

(Domingo, 19 de novembro de 2006)

Um Flagrante de Linhares

Os batistas brasileiros de algumas gerações atrás conheceram um fotógrafo da melhor qualidade. João Carlos Linhares Fábio -- ou simplesmente Linhares -- era sinônimo de excelência profissional. Foto de Linhares podia publicar-se em qualquer jornal ou revista, e não apenas em O Jornal Batista, onde trabalhou durante vários anos.

Quando fui redator-auxiliar de O Jornal Batista, ele e eu dividíamos a mesma saleta nas dependências da Juerp, em Tomás Coelho. Essa proximidade nos ensejou boas conversas, que oscilavam de teologia a fotografia. Foi com ele, aliás, que aprendi que não se tira foto quando o pregador está lendo; espera-se até que ele levante a cabeça.

É outra, porém, a principal lição que deixou, e que tento aplicar na vida. Um dia, mostrou-me foto que fez de uma bela modelo que, entretanto, possuía uma cicatriz no rosto. Como resolver isso? Solução dele: se a modelo virasse o rosto numa certa direção, a cicatriz "desaparecia".

A atitude de Linhares harmoniza-se perfeitamente com a admoestação de Pedro quando ordena: "Acima de tudo, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados" (1Pe 4.8). O pecado nos deixou com vivas cicatrizes. E não adianta negar que as trazemos na face. Estão aí para quem quiser ver. Tanto é assim que Tiago admite: "...todos tropeçamos em muitas coisas" (Tg 3.2a).

Observemos bem esta postura do amor, traduzida na frase de Pedro: "o amor cobre...". Ao invés de publicar os defeitos e as deformações dos outros na primeira página do jornal, o amor cobre-os. Ao invés de alardear as falhas alheias, o amor omite-as. Ao invés de proclamar aos quatro ventos vícios e vicissitudes dos que convivem conosco, o amor silencia. Tal proceder não significa cumplicidade para com o pecado, senão a Bíblia mesma não o recomendaria. Mas é, antes, compaixão pelo pecador.

Que o Senhor nos faça desenvolver e progredir nesta rara virtude!

Pr. João Soares da Fonseca

 



Pr. João Soares da Fonseca