Pastoral

(Domingo, 20 de maio de 2007)

De Olho na Liberdade

Um dos princípios que distinguem os batistas é o da separação entre Igreja e Estado. Para eles, é a igreja livre num Estado livre. Por defenderem essa idéia na Europa, ao tempo em que Estado e Igreja se confundiam e eram uma lama só, não é difícil imaginar que tiveram que pagar um alto preço. A Inglaterra adotou o anglicanismo, a Alemanha o luteranismo, a Suíça o calvinismo, a Itália o catolicismo, a Rússia e seus vizinhos a Igreja Ortodoxa, só para citar alguns exemplos do universo cristão, ocidental. Os batistas, portanto, não eram vistos como bons cidadãos por crerem diferente do Estado. Hoje, faz parte do ideário de qualquer democracia séria a vigorosa defesa da liberdade religiosa.

Em nosso País, só em 1891, foi que a Constituição separou a Igreja do Estado; um princípio dos batistas foi incorporado à constituição. Até ali, o bom brasileiro tinha que ser católico. Só podia ser católico, sem exercer a sua liberdade maior, que é a da consciência.

Qualquer pessoa razoavelmente informada sabe disso. O Estado moderno está aí para quem quiser ver. E tudo isso nos é óbvio.

Ocorre, porém, que esse princípio, que nos parece óbvio, não agrada a todos os mortais. Os que lucravam com a fusão do temporal com o espiritual devem lamentar até hoje a perda dos privilégios. Foi o que se viu no dia 10 de maio, quando Bento 16 tentou, em São Paulo, convencer o presidente brasileiro "a transformar o Brasil num Estado Confessional, onde a religião oficial do País seria a católica" (O Dia, 11-05-2007). A iniciativa, diz o jornal, criaria o imposto do dízimo, como na Argentina onde "o repasse de verbas para o pagamento de despesas da Igreja chega a 10% de tudo o que arrecadado pelo País". Lula, claro, rejeitou a proposta. Mas o jornal garante que o papa "mantém as esperanças de fechar o acordo sobre o assunto até 2010". É bom o Brasil ficar de olho!

Pr. João Soares da Fonseca