Pastoral

(Domingo, 21 de maio de 2006)

Vomita, que passa

Ao voltar para o Canadá em dezembro de 2005, além da comida do avião, que não é exatamente a melhor coisa para a saúde de um mortal, comi alguma coisa no aeroporto de Chicago. Embarquei e viajei bem até Ottawa. Em lá chegando, porém, comecei a passar mal. Sentia-me enjoado como se estivesse de mal com a vida. Mas eu ainda não sabia do que se tratava. Alguma coisa dentro de mim certamente não andava bem. Perto da meia-noite, o mal em mim mostrou a sua verdadeira identidade.

Desculpe a repugnância deste registro, mas vomitei até não ter mais forças para nada. Ou como diz Leonor Cordeiro, nossa amiga de Belo Horizonte, "vomitei até a alma".

Pronto. Levantei a cabeça, senti-me curado imediatamente. O dia seguinte era domingo, e preguei como se nada tivesse acontecido.

Provavelmente você também já passou por isso. Lembra, naquela recepção de casamento, aquela maionese que foi preparada com várias horas de antecedência? Lembra aquele bolinho de bacalhau cujo cheiro já indicava que havia qualquer coisa errada com esse "peixe teleósteo, anacantino, da família dos gadídeos"? Comeu e caiu, não foi? Pois é. Quando ingerimos comida estragada, passamos mal. A festa perde a graça. Até o sorriso das pessoas parece indigesto. E não melhoramos enquanto não expulsamos aquilo de nós.

Se o corpo assim reage a um elemento estranho, ainda com mais veemência devia reagir a alma. O crente, cujo cardápio principal é "toda palavra que sai da boca de Deus", não se dá bem com alimentos envenenados. O alantotóxico do rancor, por exemplo, nos faz enjoados, provoca náuseas em nós, boicota a nossa alegria, poda o prazer de viver, relacionar-se e produzir. Para evitar isso, Paulo apóstolo tem um conselho, que é tiro e queda: "Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade" (Ef 4.31, NVI). "Livrem-se", ou seja, tirem isso da vida de vocês. Vomitem essa coisa horrorosa, senão vocês não viverão em paz. Lembremo-nos sempre disso: amargura faz mal à saúde. Mágoa mata.

Pr. João Soares da Fonseca