Pastoral

(Domingo, 22 de abril de 2007)

A Troca das Etiquetas

Era uma vez dois meninos que na véspera do Halloween, na Filadélfia, Estados Unidos, resolveram se divertir, pregando peças nas pessoas. Decidiram arrombar uma loja de produtos baratos, espécie de camelô do Primeiro Mundo. Esperaram descer o manto da noite, e, como ratos imperceptíveis, entraram na loja. Entraram, mas não roubaram nada. A traquinagem consistia apenas em trocar as etiquetas dos preços. E realmente trocaram tudo. No dia seguinte, relógios, que valiam 50 dólares, ficaram com a etiqueta de 50 centavos. Pente, que valia 50 centavos, estava com a etiqueta de 50 dólares.

Como é de supor-se, quando a loja abriu na manhã seguinte, imagine a confusão que se estabeleceu! Clientes e funcionários não se entendiam. Num canto, os garotos se divertiam.

Pois um dos meninos cresceu e contou a história. É hoje um sociólogo famoso, pastor e professor universitário chamado Tony Campolo, que foi até assessor de Bill Clinton. E a história aparece num de seus livros -- Quem trocou as etiquetas dos preços? -- infelizmente inédito em nossa língua.

Pois essa parece ser a principal crise dos nossos dias: definir o que é que vale alguma coisa, o que não vale nada e o que vale tudo. O Diabo se encarregou de fazer a troca das etiquetas. A família, que outrora valia tanto, hoje parece estar em crise. Honestidade, honra, fidelidade, palavra empenhada, tudo foi trocado; vale muito pouco hoje. Aparência apresentável, boa impressão, falar bonito, emocionar e emocionar-se... estão com os preços na estratosfera. Amigo, tem certeza que você não está investindo a sua vida num projeto de 50 centavos pensando que ele custa 1 milhão?

Certa vez, Jesus deixou com os seus ouvintes esta indagação até hoje desafiadora e esclarecedora: "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?" (Mt 16.26). Pense nisso. E que Deus ajude você a saber o que vale e o que não vale nesta vida!

Pr. João Soares da Fonseca