Pastoral

(Domingo, 23 de julho de 2006)

Emoções de um Certo Ministério

Outro dia, coube-me a honra de visitar um irmão outrora ativo na igreja. Agora idoso, tem seus movimentados limitados não só pela idade como pela doença. Conversamos, lemos a Bíblia, oramos e saímos. Tomamos o elevador, descemos e saímos do prédio. Íamos atravessar a rua quando ouvimos algo. Alguém parecia querer chamar a nossa atenção. Olhamos, primeiro para trás e depois, para cima. E lá, à janela do seu apartamento, estavam o irmão visitado, sua esposa e a enfermeira que tão bem cuida dele. Os três dando tchau, sorrindo felizes como crianças num play-ground. Enquanto viver, vou me lembrar daquela janela. Não há troféu neste mundo que me dê alegria maior.

Todo ministério tem crises, mas também coroas. O da visitação não é exceção, sendo tão necessário na igreja do século 21 como o foi na dos primeiros séculos. Será suficiente lembrar a alegria espiritual que vivenciam visitados e visitadores. É inefável o sentimento de cantar "Precioso é Jesus Para Mim" ao lado de uma irmã presa, há 13 anos, a uma cadeira de rodas. Enquanto cantamos, ela enxuga uma lágrima discreta. Uma coisa é cantar "Em Jesus Amigo Temos" na congregação, junto com a potência do órgão e a ressonância do piano; é sublime, não nego. Outra, porém, é cantar isso baixinho, quase sussurrando ao ouvido de alguém que tenha poucos amigos, que esteja doente, desempregado, deprimido...

Haverá muita emoção no céu, com certeza. Mas no ministério da visitação Deus já nos deixa pré-sentir cá um pouco das emoções de lá.

Não, se você nunca visitou alguém, você não sabe do que estou falando. Mas ainda é tempo de começar. Una-se à comissão de visitas aos irmãos ausentes; procure o diácono Gilberto Figueira, e prepare-se para viver muitas emoções!

Pr. João Soares da Fonseca