Pastoral

(Domingo, 23 de dezembro de 2007)

Infeliz Natal

No Natal de 1995, o ator e autor, Miguel Falabella, que escrevia em O Globo uma crônica dominical, desabafou e falou sobre o Natal:

"Há muito tempo não passo um Natal aqui [no Brasil]. Não vai ser diferente este ano. Quando esta crônica for publicada, vou estar longe. Desde que minha mãe se foi que não vejo muito sentido na celebração. Todos nos reuníamos em torno dela, e era ela quem gostava da mesa sem fim, dos gritos de alegria pela noite adentro, da fantasia alimentada e cultivada em nossos pequenos corações" (Miguel Falabella, crônica Outra vez, a manjedoura, O Globo 24-12-95).

O equívoco de Falabella é o equívoco de muita gente. O Natal é uma celebração que deve sempre fazer sentido, com ou sem a presença de qualquer parente que seja. É claro que se pudermos celebrar o nascimento de Jesus junto dos nossos queridos, tanto melhor. Mas nossa celebração não deve ser em nada comprometida porque falte alguém. Além do mais, quem é a figura central do Natal? O Natal não deve ser "em torno dela", mas em torno dEle!

Aliás, reside aí o fulcro da questão. Para muita gente, o Natal perdeu o significado porque, de fato, a coisa mais esquisita é celebrar o aniversário de alguém que esteja absolutamente ausente. O mundo moderno ocidental, conquanto se chame cristão, trocou o ator principal do Natal pelos figurantes imaginados pela tradição. O paganismo do nosso tempo trocou Jesus por outros personagens. Assim como na Páscoa, em que "o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" foi substituído por um coelho, no Natal, o indispensável foi substituído pelo supérfluo, o cristão pelo pagão.

Cabe aos seguidores de Jesus lutar para que o Natal volte a ser anúncio de "novas de grande alegria", como foi o primeiro Natal (Lc 2.10). É preciso, com urgência, descomercializar o Natal! Feliz Natal pra você!

Pastor João Soares da Fonseca

jsfonseca@pibrj.org.br