Pastoral

(Domingo, 24 de dezembro de 2006)

Soam Mais Doces os Sinos

Presentes, cartões, ceia, cantatas, cultos... O Natal tem um programa básico que não varia há décadas. Mas essa repetição não satura aqueles para os quais o Natal tenha significado. É que a celebração do Natal nos lembra certos valores que esquecemos no decurso do ano. Por exemplo, o abraço.

Na azáfama do cotidiano, nessa briga de foice pela sobrevivência, o abraço quase sempre fica pra depois. O Natal é esse depois. É o tempo de recuperar a afeição e pôr a emoção em dia, embora todo dia seja dia de abraço, e a reconciliação deva ser constante.

Natal também é tempo de reabastecer a esperança. Sem esse ingrediente, a vida corre o risco de ser apenas tolerada, e talvez nem isso. Não importa a frustração resultante do fiasco do time de futebol, ou das finanças precárias, ou do candidato que, eleito, escolheu nos esquecer... Nada disso importa em dezembro.

E o visual natalino? Quem resiste ao fascínio da árvore de Natal com seus frutos exóticos, sua neve falsa de algodão e sua flores que piscam o mês inteiro?

Nada, entretanto, me desmonta tanto como os hinos e canções de Natal. De Adeste Fidelis a O tannembaum, eles parecem ter sido compostos à beira da manjedoura. Em maio de 1983, visitei a Igreja da Natividade, em Belém, tido como o templo mais antigo da cristandade. Era por volta do meio-dia, hora em que os religiosos que cuidam do patrimônio desfilavam rumo ao suposto lugar da manjedoura. E o faziam, cantando solenemente Adeste Fidelis, laeti triumphanti... O título desta página mesmo é o de uma deliciosa canção natalina alemã.

Natal para ser Natal tem que ter canção. Mais do que nozes, há de ter vozes; culto, mais que comilança; igreja, mais do que presépio. Porque sem Jesus, até o presépio não passa de presepada!

Por fim, o Natal me leva a pensar: É Cristo relevante em minha vida? Ele e eu temos contato o ano todo? Ou ele é apenas uma lembrança que me visita a cada dezembro?

Pr. João Soares da Fonseca

 



Pr. João Soares da Fonseca