Pastoral (Domingo, 25 de fevereiro de 2007) Não Pode Haver Outro João A cidade ainda está sobressaltada com o crime do dia 8 de fevereiro, quando os bandidos arrastaram o corpo do garotinho João Helio Fernandes por 14 ruas de Osvaldo Cruz, Madureira e Cascadura. Os perpetradores de tal barbaridade foram presos, e agora, o que se espera é que a justiça seja administrada. O episódio chocou tanto que, parece, mobilizará o Poder Legislativo no sentido de adotar leis mais severas contra o crime. É certo que não se deve legislar sob emoção, mas o choro doído da mãe, Rosa Cristina, talvez produza agora algo que a sociedade vem pedindo há tempos, ou seja, mais rigor contra a barbárie. É difícil não se emocionar, vendo a mãe suplicando que crimes assim não aconteçam mais. "Não pode haver outro João", soluçava ela em entrevista à televisão. Para que alguém deixe de se comportar como um bárbaro, é preciso primeiro arrancar o bárbaro de dentro dele. É preciso também que se desbarbarize toda a sociedade. É preciso que se desbanalize a violência. Temos de redescobrir o valor precioso de uma vida. Amigos, não é normal matar-se tanta gente, e a gente achar que isso é assim mesmo. Os bandidos não estavam drogados; isto é, fizeram tudo, sabendo o que estavam fazendo. E não lhes doeu a consciência, porque as suas consciências estavam, como escreveu Paulo, "cauterizadas", insensíveis (1Tm 4.2). Continuemos anunciando o evangelho da graça. Só Jesus desbarbariza o pecador. Mas falo do Jesus que quer ser levado a sério, aquele que chama o pecador ao arrependimento. Chega de manipular o nome de Jesus, prometendo fazer a gente parar de sofrer. É preciso pregar, pois, nos lares, nas casas, nas igrejas, nas praças. Aliás, a praça do Amparo, em Cascadura, receberá agora o nome do garoto martirizado. Nessa praça, eu mesmo preguei muitas vezes, ao ponto de sair de lá quase rouco. Ou ficamos roucos de tanto pregar, ou ficaremos fracos de tanto chorar! Que o Senhor tenha misericórdia do Brasil!
Pr. João Soares da Fonseca
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