Pastoral

(Domingo, 25 de junho de 2006)

As Três Peneiras

Conta-se que certa vez, quando Sócrates caminhava pelas ruas de Atenas, o célebre filósofo grego foi abordado por um homem que desejava contar-lhe algo sobre a vida de outro amigo comum.

- Quero contar-lhe algo sobre nosso amigo Andreas, que vai deixar-te boquiaberto.

- Espera, interrompeu o filósofo. ¾ Passaste o que vais dizer-me pelo crivo das três peneiras?

- Três peneiras? - espantou-se o interlocutor.

- Primeira peneira: a coisa que me contarás é verdade?

- Eu assim creio, pois me foi contada por alguém de confiança - diz o amigo.

- Bem, alguém te disse... Vejamos a segunda peneira: A coisa que pretendes contar-me é boa?

- Não exatamente.

- Isso começa a me esclarecer - argumenta Sócrates. - E a terceira peneira: O que tinhas intenção de contar-me é necessário? Tem algo de utilidade tanto para mim, como para nosso amigo Andreas e para ti mesmo?

- Não, não é útil.

- Então, caro amigo, a coisa que pretendias contar-me não é certamente verdadeira, nem boa, nem necessária. Assim sendo, não tenho intenção de conhecê-la e aconselho-te a não mais procurares veiculá-la.

Tertuliano, um dos primeiros líderes da igreja cristã, falava de Sócrates como um quase convertido. "Quase nosso", eram suas palavras. E é pena que um quase-crente às vezes mostre muito mais rigor com a verdade e cuidado em comentar algo da vida alheia do que muito supercrente.

Combinemos o seguinte: da próxima vez que alguém vier lhe contar algo sobre alguém, faça o teste das três peneiras:

  • Será que é verdade?
  • Mesmo sendo verdade, é coisa boa?
  • Será que é necessário?

Pr. João Soares da Fonseca