Pastoral (Domingo, 26 de agosto de 2007) Harpa ou Lança ? Você toca um instrumento musical? Por que não? No Velho Testamento, lemos duas histórias que se entrecruzam. São dois homens absolutamente diferentes: Saul e Davi. Um é o rei de Israel. O outro será seu sucessor. Saul, por permitir que a maldade fizesse ninho no seu coração, tornou-se um homem incrédulo, injusto, intolerante e intolerável. Foi um rei controlador, contraditório e cruel. A Bíblia diz que ele tinha uma lança em sua mão (1Sm 18.10). O mesmo texto diz que o outro, Davi, possuidor de uma profunda devoção ao Deus vivo e verdadeiro, "tocava a harpa". Davi era um simples pastor de ovelhas, a quem Deus chamou para liderar o povo de Israel numa circunstância complicada. Sua primeira tarefa na vida pública foi sobreviver, já que Saul movera contra ele todo o arsenal do poder. Saul respirava ameaças. Davi, poesia! Que triste contraste! Saul, com uma lança, tentou até matar o próprio filho. Davi queria apenas agradar a Deus, exaltá-lo e a Ele obedecer em tudo. Na verdade, é assim que os homens se distinguem e se dividem: uma grande maioria vive armada de lança, planejando destruir, vingar e matar. Estes vivem para a produção renovada da violência. E o que não falta é fabricante de lanças! Na outra ponta, a teimosa minoria do amor. São os que, movidos não por sua própria bondade, mas pela graça misericordiosa de Deus, ousam não apenas tanger mas também colocar uma harpa nas mãos que antes ostentavam lanças. Estes vivem para a composição de sinfonias maravilhosas que instruem e inspiram. Lança, instrumento bélico! Harpa, instrumento musical! Saul foi um rei que fez mal a si, a sua família e ao seu povo. Davi, com todos os defeitos (que também ele os tinha), é um herói dos judeus. O poder nas mãos do mal alimenta a morte. Nas mãos do bem gera a vida. Nas mãos do mal, é lança. Nas do bem, é harpa. Música ou guerra: você decide o que quer produzir.
Pastor João Soares da Fonseca
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