Pastoral

(Domingo, 30 de abril de 2006)

Deus é Otimista

Logo após a eleição em que esta igreja nos convidou para o pastorado, um irmão canadense, portador de uma vocação inequívoca para o pessimismo, quis saber entre curioso e incrédulo: "Quantos membros tem mesmo a igreja lá no Rio?" Respondi com a informação que o site da igreja disponibilizava então: em torno de 3.000 pessoas. Arregalando os olhos, tomado de susto, o canadense manifestou de novo a sua amarga vocação: - Três mil pessoas... isso quer dizer três mil problemas!

Rimos os dois, como se aquilo fosse engraçado. E, por alguma razão, parece mesmo que tem graça. Mas depois, a frase do pessimista ficou

zumbindo em minha cabeça: três mil pessoas... três mil problemas... três mil pessoas... três mil problemas... A frase começou a tomar vulto e a incomodar. Parecia que o Diabo manipulava-a e repetia-a como um refrão maligno destilando veneno. De palavra engraçada a frase migrou para palavra desgraçada.

Por fim, o Senhor, a quem devemos entregar as nossas inquietações, nos descortinou um outro ângulo pelo qual devemos examinar situações potencialmente pessimistas: - Três mil pessoas podem ser três mil bênçãos!

Heureca! Era isso! Três mil pessoas podem ser três mil oportunidades de percepção da presença de Deus. Como aconteceu com Jacó. Quando ele se encontrou com Esaú, depois de muitos anos de fuga, os dois estavam compreensivelmente nervosos. Para facilitar a reconciliação, Jacó ofereceu caros presentes a Esaú. Diante da recusa de Esaú em aceitá-los, Jacó disse algo que deveríamos transformar em bandeira: "Para mim, ver o seu rosto é como ver o rosto de Deus..." (Gn 33.10, NTLH). Ou seja, o outro não é um problema; o outro não é "o inferno", como já sugeriu um filósofo ateu. O outro é alguém importante, porque reproduz a fisionomia de Deus.

Três mil pessoas... A quantidade não importa. Três mil pessoas, duas mil e quinhentas... ou mesmo duas ou três reunidas em nome de Jesus (Mt 18.20), irmanadas pelo mesmo ideal e de mãos dadas em torno da cruz,podem provocar uma revolução e pôr uma cidade de cabeça para baixo, ou antes, de cabeça erguida. Foi, aliás, com quase esse número que a igreja de Cristo começou no dia de Pentecostes (At 2.41). Neste caso, por que só três mil? Por que não seis... nove... 12 mil?

Pr. João Soares da Fonseca