| Pastoral (Domingo, 30 de julho de 2006) Oh, No; Yes, OK Quando eu era adolescente, fui com os adolescentes da nossa igreja visitar um asilo de anciãos pela primeira vez. Fomos levar aos velhinhos sorrisos, solidariedade e sabonetes Bem me lembro da minha reação: choque. Fiquei chocado ao ver velhinhos tão velhinhos. A imagem de tantas rugas concentradas num pequeno espaço ficou carimbada na memória adolescente. Foi o meu primeiro contato consciente com a dura realidade da velhice desamparada ou não. De lá pra cá, a geriatria desenvolveu-se bastante. Mas não o suficiente para evitar que envelheçamos. Não seria perfeita a vida se fôssemos eternamente jovens? Certa vez, minha cunhada, enfermeira em Indianápolis, nos levou a visitar a sogra, que estava internada numa clínica geriátrica. Quartos amplos, camas limpas, internos bem tratados, recursos mil. Aí conhecemos Marilyn. Os golpes do derrame cerebral que sofrera não conseguiram amarrotar a beleza do seu rosto. Com 60 anos, Marilyn tinha os olhos mais azuis que já vi no mundo. Mas por causa do derrame, ela não mais sabia controlar suas emoções. Chorava alto pelo corredor feito criança desamparada. Tudo o que conseguia "dizer" se resumia a duas expressões, que qualquer estrangeiro entende: "Oh, no!" e "Yes, ok". E repetia isso infinitamente. Quando aprovava uma situação, ela balançava a cabeça, dizendo 148 vezes, pelo menos: Yes, ok! Yes, ok! Yes, ok!... Quando não gostava, repetia: Oh, no! Oh, no!... Apontando para nós, minha cunhada disse a Marilyn: "Vieram da América do Sul para ver você". Ela se acalmou momentaneamente, olhou para nós e engrenou a outra marcha: "Yes, ok! Yes, ok! Yes, ok!...", sem fim. O espetáculo de Marilyn, de Indianápolis, me deixou arrasado. Pensei na pergunta de Tiago: "Que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece" (Tg 4.14). Será que toda a realidade da existência se concentra apenas nesta carne, que a cada dia se deteriora? Oh, no! Oh, no! Mas sabe de uma coisa? Não precisamos ficar com medo do futuro. Porque Jesus já está lá, de braços abertos para nos receber. Yes, ok! Pr. João Soares da Fonseca |
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