Pastoral

(Domingo, 30 de setembro de 2007)

O Homem Invisível

Seja franco: já aconteceu de você ir a uma igreja, assistir ao culto e, no final, sair dali sem que ninguém viesse falar com você?

Comigo, infelizmente, já.

Foi em 1983. Eu estava de férias, conhecendo a bela cidade de Atenas, na Grécia. Quando chegou o domingo, eu fui à igreja localizada a pouca distância do hotel onde me hospedara. Era uma igreja presbiteriana, mas a ordem do culto era bem semelhante à que usamos em nossas igrejas por aqui, com a diferença de que era em grego moderno.

Ao fim do culto, todos se levantaram e começaram a conversar alegremente. Era bonito ver a comunhão que revelavam entre si. Mas só entre si. Ninguém veio me dizer nada, perguntar nada. Por um instante, pensei que eu fosse um homem invisível.

À porta, tudo o que o pastor me perguntou foi: "Você é turista?" E só. Talvez se eu fosse morador novo na cidade, teria recebido melhor tratamento, dada a hipótese de que poderia tornar-me membro daquele rebanho. Mas turista...

Se algum dia eu voltar a Atenas, confesso que vou procurar outra igreja. Ah, mas não tenha dúvida.

Ser bem recebido é um direito do visitante. Se ele não é crente e entra num templo evangélico, ele se sente fora do seu ambiente. Ele pode até pensar que a presença dele ali vai "atrapalhar" o culto num sentido espiritual, pois é isso que ele ouve em relação a certas reuniões ditas religiosas.

Como donos da casa, devemos tomar a iniciativa de cumprimentar o visitante, convidá-lo a voltar sempre, mostrar-lhe as dependências da igreja. Ele deve saber que não temos nada a esconder dele, porque, você sabe, alguns ainda pensam que os crentes praticam rituais secretos.

Durante o culto, aproxime dele o boletim e a Bíblia. No momento de se cantar um hino ou corinho, será preciso indicar o lugar exato. Afinal, tudo ali é novidade para ele. Lembre-se: o visitante não é invisível!

Pastor João Soares da Fonseca

jsfonseca@pibrj.org.br