Um Olhar Enganoso
(Jonas 1:2,3; 2:1-10; 3:1-4)
“Jonas, porém, fugiu da presença do Senhor, na direção de Társis.”
(Jonas 1:3a)
Introdução. A narrativa é curta, todavia, nos permite inferior que não houve
dificuldades para chegar a Jope, comprar uma passagem e embarcar para Társis. O
início da viagem é tão tranquilo que mesmo no meio de estranhos Jonas descansava,
estava dormindo e dormindo profundamente. Ao ler este texto isoladamente Podemos
ter a impressão de que aqueles que recusam o chamado do Eterno, têm caminho livre
para viver a partir de suas próprias decisões, e que tal caminho de oposição é
tranquilo. Nem sempre as coisas funcionam bem, estão dando certo e o “mar está
calmo”. Estar no centro da vontade de Deus, às vezes, é exatamente o oposto. Jonas
foge deliberadamente do chamado do Eterno e descobrirá grandes diferenças entre o
caminho de Társis e o de Nínive.
Olhar Míope. Társis, no imaginário literário e, talvez, na visão de Jonas, representa um
lugar de descanso, prazeres, riquezas, enfim, um paraíso dourado. Ao fugir da
presença de Deus e dos desafios do seu chamado, Jonas perde o foco no amor e
grandeza de Deus e não consegue ver o resultado do poder da pregação. Társis
poderia ser uma região na costa norte da África ou um local remote na Espanha. E ir
para Társis significa tomar “as rédeas” da propria vida, andar pela propria cabeça, fazer
o próprio destino. Esta atitude de Jonas, minha e sua, por vezes, é a atitude de Adão e
Eva, voltamos ao Jardim do Édem e queremos ser iguais a Deus, e decider o que e
quem vale a pena ou não em nosso ministério.
Olhar Estrábico. Ao decretar em seu coração que os ninivitas não eram merecedores
da palavra e da misericórdia de Deus, Jonas, de maneira indireta, vê a si e seu povo
como merecedores, como mais dignos e, mesmo dentro do peixe, sua prece não é
direcionada a Deus e à sua vontade, mas, a si mesmo e à vontade do seu coração.
Jonas tem uma visão distorcida e “vesga” de si e dos ninivitas, interpretando os outros
povos como indignos. Paulo declara que pelo sangue de Jesus, ambos os povos foram
unidos. Duas atitudes podem ser identificadas no início desta oração de Jonas: “Pois
me lançaste nas profundezas dos mares, e a corrente das águas me cercou; todas as
tuas torrentes e ondas passaram por cima de mim. Eu disse: Fui expulso da tua presença; como poderei ver o teu santo templo novamente? As águas me cercaram atéa alma, o abismo me rodeou, e as algas se enrolaram na minha cabeça” (Jn 2:3-5);
1)Vitimismo barato – “no coração dos mares [….] torrentes e ondas passam por cima
de mim”. Parece que Jonas estava dentro de um submarino de vidro, numa viagem
panorâmica pelo oceano. Lembremos que Jonas estava no escuro, no oculto do corpo
fechado de um peixe. Jonas estaria tentando convencer Deus a liberá-lo por estar num
lugar escuro, perigoso, desconfortável.
2)Transferência de responsabilidade – “Fui expulso de tua presença […]”. Não foi Deus
que mandou Jonas ao porto de Jope tomar um navio e ir em direção oeste ao Mar
Mediterrâneo. Jonas está dentro de um peixe por consequência direta de suas
escolhas. Importante ressaltar que Deus enviara Jonas na direção leste, ao deserto. Era
para Jonas estar em cima de um camelo e não dentro de um peixe. Tal atitude lembra
Caim, que para se justificar após cometer o primeiro homicídio da história, age com
vitimismo e transferência (Gn 4:13, 14). Jonas não busca a justiça de Deus e apela a
uma misericórdia que debaixo de rebeldia e autossuficiência jamais ocorrerá.
Olhar Astigmático. Podemos olhar a vida de Jonas de forma embaçada tanto de perto
quanto de longe ao comparar sua atitude em sua geração e no testemunho de Jesus.
Jesus utiliza Jonas como exemplo de sua morte, três dias no submundo das trevas.
Jonas dentro de peixe, Jesus dentro do sepulcro. Jonas foi parar nesse local por
rebeldia; Jesus, por obediência. Jonas, por soberba; Jesus, por humildade, por negar a
si mesmo, esvaziar-se e não terp or usurpação o “ser” igual a Deus (Fp 2:5-10). Jonas
dentro do grande peixe procura ser justificado e exaltar a si mesmo e ao povo de
Israel.
Considerações finais. A palavra de Deus vem a Jonas Segunda vez, e Jonas vai,
relutante, mas vai (Jn 3:1-4). O texto declara que a cidade era importante para Deus.
Nínive exigia uma ação de no mínimo três dias. Precisamos também analisar nossas
ruas e entornos de nossas igrejas e fazer ações que atinjam toda a vizinhança.
Infelizmente, Jonas não tinha nem o desejo, muito menos a visão. Os três dias se
tranformaram em um, pregando, correndo, lançando palavras ao vento, contudo, o
que Jonas não queria aconteceu, visto que a Palavra de Deus tem poder e jamais volta
vazia.
Marcia Pinheiro – Equipe de Estudos e Resumos
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ESTUDO | Um olhar enganoso- Lição 12
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