(Romanos 9)
“Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser
considerados como descendência os filhos da promessa.”
(Romanos 9.8)
Para entendermos este capítulo, precisamos relembrar as lições anteriores, onde Paulo
trabalha a divisão interna da igreja de Roma entre judeus e gentios convertidos. Paulo está
tentando encerrar a confusão entre os dois grupos, fazendo com que a comunidade cristã
romana atue harmoniosamente. Esta visão coletiva é essencial para compreensão do
capítulo 9 de Romanos.
Com isso em mente, vemos Paulo iniciando sua fala lamentando o estado religioso dos
judeus, por muitos estarem recusando o evangelho de Cristo que Paulo sempre lhes
apresentava prioritariamente quando adentrava em uma cidade (v.1-3). O lamento de Paulo
se deve ao fato de entender que todos os benefícios celestiais já eram do povo de Israel
(v.4,5). Contudo, o apóstolo rapidamente se consola, notando que nem todo o descendente
de Israel faz parte de Israel, ou seja, do povo originalmente eleito para ser o povo exclusivo
e santo de Deus, por isso, os planos de Deus para Israel não foram frustrados (v.6,7). Como
argumento deste fato, Paulo nota que o povo de Israel foi formado não de acordo com a
cultura vigente e nem segundo as suas obras, mas segundo a escolha soberana de Cristo
(v.8-11). Se seguisse a ordem jurídica da época, Ismael deveria ter sido o herdeiro de
Abraão, e Esaú, o herdeiro de Isaque. Entretanto, Isaque e Jacó foram os escolhidos como
aqueles de quem seria gerado o povo de Israel, não por suas obras, mas por decisão
divina. Isso explica por que Paulo fala que “o maior servirá o menor” e que amou a Jacó e
odiou, ou aborreceu, a Esaú. Paulo falava não dos indivíduos, mas de suas descendências.
A seguir, Paulo retoma o diálogo com seu interlocutor imaginário para falar que não haveria
injustiça em Deus escolher para si um povo para chamar de seu, pois Ele tem misericórdia
de quem desejar, independentemente da pessoa (v.14-16). Cabe ressaltar que ninguém
podia alegar desconhecimento de Deus, pois a criação era testemunha da existência do seu
criador (Rm 1.20) e porque todos haviam tido a mesma origem em Adão e, posteriormente
em Noé. Além disso, a religião judaica não era exclusiva de quem descendia fisicamente de
Abraão, como podemos ver no caso de Rute, que se converteu para manter o
relacionamento com sua sogra Noemi (Rt 1.16).
Essa soberania é exemplificada pela vida de faraó, cujo coração foi endurecido para que a
glória de Deus fosse manifestada e seu nome fosse anunciado por toda a terra. Muitos
usam este texto para alegar que Deus escolhe quem será salvo ou não, mas cabe ressaltar
duas coisas:
Primeiro – Faraó endureceu primeiro o seu coração por cinco vezes (Êx 7.13; 7.22; 8.15;
8.32; 9.7), antes de Deus o fazer (Ex 9.12). Isso indica que faraó já era um homem
orgulhoso e soberbo antes de Deus agir em seu coração,
Segundo – O próprio Paulo ressalta que esse endurecimento tem o objetivo de exercer sua
misericórdia sobre todos (Rm 11.32). Ou seja, não tem poder definitivo, mas temporário, e
com o propósito de fazer com que todas as pessoas se arrependam. Se o endurecimento
fosse definitivo, os próprios discípulos de Jesus não teriam alcançado a salvação (Mt 6.52).
A própria Bíblia nos revela que é o homem quem, por iniciativa própria, decide ceder a suas
paixões (Ec 7.29). Deus pode, então, endurecer seus corações para revelação de um plano
maior futuro, de demonstração de sua graça sobre nós. Assim como Deus pode endurecer
os corações para exercer misericórdia, também pode eleger um novo povo para si, desta
vez pela fé, tanto entre os judeus quanto entre os gentios (V.24-29). Não poderia haver na
igreja romana, portanto, uma de classes entre descendentes e não descendentes de
Abraão, pois o novo povo eleito por Deus para si abrangia pessoas de todas as nações que,
pela fé em Cristo Jesus, agora tinham condições de se relacionar com Deus.
Conclusão: Antes estávamos excluídos destes planos, mas, em Cristo fomos incluídos,
recebendo a mesma adoção como filhos que os judeus receberam anteriormente.
Catarina Damasceno – Equipe de Estudos e Resumos
Estudo
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ESTUDO | A Promessa que Floresce Pela Fé – Lição 09
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