Além das Aparências – Lição 02

Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas”
(Romanos 2.2)

Quando estudamos a Carta aos Romanos, fica claro que Paulo estava trabalhando com
uma comunidade de fé dividida. De um lado, a maioria gentia, formada por pessoas que
aceitaram Jesus como seu Salvador e permaneceram em Roma. De outro, uma minoria
judia, que entendia que, por serem seguidores da lei e filhos de Abraão, seriam superiores
espiritualmente.
Possivelmente, esse grupo de judeus convertidos se julgava no direito de criticar as ações
dos gentios, tanto as pregressas quanto as atuais. Queriam que aqueles que não nasceram
segundo a lei adotassem suas práticas rituais. Quem não o fazia, provavelmente, era
colocado de lado, taxado como um infiel.
Paulo rapidamente combate esta visão, igualando judeus e gregos sob o mesmo juízo
divino. Para Deus, não há castas superiores e inferiores. Há pecadores e remidos,
independente de origem social (v.9-11).
Paulo, também, esclareceu que o único justo juiz é Deus. Nós, simples homens, somos
sujeitos a incorrer em erros, por isso, podemos ser igualmente julgados (v.1). Como
cristãos, devemos sempre ter a consciência da nossa própria finitude e estar sempre alertas
para não cairmos em tentação.
Infelizmente, muitos em nossas igrejas por terem perdido o foco da vida cristã, de amor a
Deus e ao próximo, vivem buscando enquadrar as pessoas à sua volta em seus próprios
padrões e opiniões que, em geral, destoam dos ensinamentos que o Mestre nos deixou.
Agem de forma legalista, inventando regras que a Palavra nunca ensinou, impondo às
pessoas um jugo que não lhes cabe.
Ora, sabemos que Jesus Cristo é a verdade (Jo 14.6), assim como sua Palavra deixada a
nós (Jo 17.17). Devemos nos inspirar na forma como Cristo agiu com os discípulos, que
foram trabalhados ao longo de três anos e amados pelo Mestre até o fim, mesmo com seus
vários escorregões.
A visão judaica de uma vida religiosa saudável era baseada nas aparências. Jesus, por
diversas vezes, criticou os fariseus por suas orações públicas (Lc 18.9-14) e por suas
demonstrações físicas de quando estavam em períodos de jejum (Mt 6.5-8, 16-18).
Paulo, como fariseu que era, advertiu seus antigos concidadãos que não deveriam agir
hipocritamente, criticando os outros por coisas que eles mesmos faziam (v.17-24). A sua
atitude falsa, pregando algo que não faziam, era motivo de escândalo entre os gentios e seria, também, perante os não cristãos. Não é difícil ver o mesmo ocorrendo em nossos dias. Porém, na igreja, todos aparecem lindos e cheirosos, com suas melhores roupas e prontos para julgar se alguém chegar atrasado ou precisar sair do templo por uma emergência.
Paulo encerra sua argumentação estabelecendo uma nova forma de conduta para o cristão:
a obediência a Deus por amor a Ele, operada em nossos corações por uma transformação
de atitudes (v.25-29). Este novo padrão não visa à ostentação, mas uma humilde
submissão à vontade de Deus, totalmente interna e oculta aos olhos dos outros. Agora, os
judeus não tinham mais desculpas para menosprezar seus irmãos gentios. A circuncisão
física não valia de nada, se as pessoas não seguissem a lei e seus ensinamentos. Ou seja,
não adiantava seguir os ritos religiosos sem adotar um coração segundo o coração de
Deus.
Devemos viver como espelhos da luz de Cristo, iluminando o mundo em trevas que nos
cerca. Contudo, a forma de fazê-lo não é por meio dos nossos julgamentos e nossas
línguas afiadas, mas pelas nossas atitudes transformadas, em que agimos considerando o
próximo como um alvo de amor de Cristo.
Conclusão: O padrão foi apresentado por Jesus Cristo: precisamos primeiro avaliar nossas
falhas para depois ajudar ao irmão (Mt 7.1-5). Devemos fazê-lo de forma humilde, dócil e
paciente (Ef 4.1-3), considerando o outro maior e mais importante do que nós (Fp 2.1-4).

Catarina Damasceno – Equipe de Estudos e Resumos.


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