Entre o Abismo e a Ponte
(Romanos 5)
“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.”
(Romanos 5.8)
Paulo, no versículo 1, inicia sua elaboração sobre o tema falando que agora que o homem
havia sido justificado pela sua fé em Cristo, ele tinha paz em Deus. Isso denota que,
anteriormente, o homem estava completamente afastado de Deus por causa do seu estado
pecaminoso. O relato de Gênesis 3 apresenta a causa desta separação. A relação de
confiança e intimidade entre criador e criatura havia se partido. Não havia mais como
manter o estado anterior, por isso, Deus expulsou o homem e a mulher do paraíso.
A partir daí, vemos como o afastamento entre o homem e Deus gerou inúmeras desgraças
(Gn 4-11).
Mesmo após Deus se revelar novamente ao homem e formar um povo só para si, a partir da
descendência de Abraão, Isaque e Jacó, em diversas ocasiões vemos o homem
sucumbindo ao pecado da desobediência e insubordinação ao Senhor, substituindo-o por
imagens de falsas divindades (Ex 32, Jz 3.7; 10.6, 1 Rs 12.25-33). O ímpeto humano de
afastar-se do Senhor, causado pela escravidão do pecado e pelo desejo de atender aos
desejos da carne, permanece forte.
É interessante, porém, perceber que, mesmo sendo a parte ofendida na relação, por causa
da vontade humana pela independência, Deus sempre demonstrou o interesse pela
reconciliação. Não importava o grau do desvio, Deus buscava sempre se relacionar
novamente com seu povo, dando a ele todas as condições para o arrependimento.
Por isso, não nos surpreende que Deus tenha tomado novamente a iniciativa para alcançar
toda a humanidade ao enviar seu filho Jesus para se sacrificar por nossos pecados. Este
ato mostra a infinitude do amor de Deus por nós, pois efetivou seu ato redentor mesmo sem
merecermos, por estarmos ainda em estado pecaminoso (Rm 5.7,8).
Para Paulo, recuperar o relacionamento com Deus, pela fé em Jesus Cristo, traz benefícios
claros. O efeito prático da reconciliação com o Senhor é a paz com Deus (v.1), que nos
permite novamente ser acompanhados e aconselhados por ele (v. 2b-4).
Isso explica por que conseguimos enfrentar os problemas desta vida de forma mais
tranquila do que aqueles que nos rodeiam. A falta de esperança no porvir, que muitas vezes
leva à depressão, é causada pelo sentimento de abandono que nos assola quando nos
vemos sozinhos em um mundo onde cada um deseja se aproveitar do outro para saciar
suas vontades.
Por outro lado, aquele que mantém sua fé firmada em Jesus Cristo passa a receber
orientação e sustento da parte de Deus por meio do Espírito Santo, que habita em nós no
momento da nossa conversão (Ef 1.13). Em momentos de dúvida para onde ir, saber que
temos um amigo que pode todas as coisas e vê todos os caminhos, nos direcionando a
trilhas que nem conseguimos vislumbrar, é algo maravilhoso e nos traz enorme segurança.
Daí nos gloriarmos nas tribulações, pois são apenas uma forma de nos aproximar do
Senhor e aperfeiçoar nossa fé ao exercitar nossa total confiança Nele.
Paulo encerra este trecho falando sobre a graça de Deus manifestada no sacrifício de
Cristo. Graça é “favor imerecido”. Nós merecíamos a morte, por causa das nossas
transgressões, porém, Deus, na sua infinita misericórdia, desejando se relacionar com o
homem, construiu as bases deste relacionamento por meio de Jesus.
Cabe ressaltar, porém, que Paulo informa que, pela obediência de Jesus, que aceitou
seguir os planos de Deus até o fim, muitos seriam salvos. Muitos, porém, não são todos. Ou
seja, Paulo sabia que, mesmo com tamanha demonstração do amor de Deus, nem toda a
humanidade aceitaria se reconciliar com o Pai. Muitos permaneceriam nas trevas, por livre e
espontânea vontade. Isso, porém, não deve nos fazer esquecer que todos são alvos da
graça de Deus, pois, afinal, todos somos, em última instância, pecadores.
Conclusão: Sejamos canais desta graça às pessoas ao nosso redor, para que a luz de
Cristo possa iluminar mais pessoas e levá-las de volta à casa do Pai.
Catarina Damasceno – Equipe de Estudos e Resumos.
Estudo
Os textos dos estudos estão em formato PDF, o que permite que cada estudo seja lido, compartilhado, feito download ou ainda impresso:
ESTUDO | ENTRE O ABISMO E A PONTE – Lição 05
Acesse o estudo clicando no link em destaque ^
Ministério Responsável | MEC
Equipe Estudos MEC | Ellen S de Jesus, Catarina Damasceno, Christiane Ribeiro e Gandhi Giordano.