(Romanos 13;14)
“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não
proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que
aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão
sobre si mesmos condenação. Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.”
(Romanos 13.1,2;14.1)
Falar em sujeitar-se às autoridades governamentais (v.1-5) parece algo inadmissível.
Entretanto, precisamos resgatar o contexto histórico para compreendermos a razão da
atitude paulina.
Primeiro, vemos que Paulo está se dirigindo à igreja situada na capital da maior potência
militar da época. Por não terem poder social ou militar para evitar uma severa punição caso
agissem contra a ordem jurídica e social romana, Paulo orienta as pessoas a obedecer às
autoridades, evitando, assim, maiores problemas.
Segundo, é preciso entender que o cristianismo gozava, na época, da proteção da própria
lei romana, que dava ao judaísmo o privilégio de não precisar participar do culto estatal ao
imperador.
Com isso em mente, podemos compreender que Paulo conclama a Igreja de Roma no
capítulo 13 à preservação do seu testemunho e integridade. As autoridades tinham a função
dada por Deus de organizar a nação, por isso, se rebelar contra ela era ir contra o que Deus
instituiu (v.2).
Considerando que evoluímos muito na questão do ordenamento jurídico, podemos
compreender perfeitamente a orientação paulina para hoje como um alerta para que não
venhamos afrontar a autoridade estabelecida, como uma lei que afronte diretamente a
Palavra de Deus.
Muitos brasileiros deixam de pagar seus tributos por inúmeros motivos. Paulo, talvez
prevendo que os cristãos não se interessariam em contribuir com uma instituição
claramente esbanjadora e idólatra como Roma, insta os membros da igreja romana a
continuar pagando seus impostos. Por serem agentes de Deus, as autoridades precisam
dos impostos para bancar as políticas que irão beneficiar o povo. O maior exemplo foi
Jesus, que não só nos orientou a pagar nossos impostos, mas, Ele mesmo, pagou um
tributo em vida (Mt 22.17-27). Devemos mudar de mentalidade e, como cristãos, ser fiéis
também no pagamento dos nossos impostos e tributos.
O restante do texto traz Paulo falando sobre a forma como o cristão deve se relacionar com
o próximo. Desde o começo, o apóstolo menciona que o amor deve ser o norteador do
cristão, pois no amor ao próximo se resume todos os mandamentos (v.8-10).
Sabendo que haveria pessoas na comunidade em diversos estágios de maturidade cristã,
Paulo conclama os membros da igreja romana a aceitar as diferenças de liturgia e crenças
sobre determinados aspectos entre cada pessoa. Percebam que Paulo não lista assuntos
centrais da fé cristã, como salvação, batismo ou a ressurreição corpórea de Cristo neste
trecho, mas, sim, questões mais relacionadas com o cotidiano, como a crença em dias
santos (v.5) e alimentação.
A razão para evitar os debates polêmicos e o respeito a visões distintas, ainda que movidas
por uma fé mais imatura, se deve ao fato de todos fazerem isso pensando apenas em
agradar a Deus (v.6). Por serem motivações sinceras, movidas pelo amor ao Criador, Paulo
conclama os cristõs a respeitar e compreender aqueles que as professam, ainda que
discordem delas.
A preocupação de Paulo reside no cuidado com os novos na fé. Ele sabia que determinadas
atitudes mais liberais referentes à comida poderiam chocar alguns novos convertidos,
dependendo de suas religiões de origem.
Conclusão: Devemos, como igreja, agir de forma a abençoar e apoiar aqueles que estão se
iniciando na fé, sem julgá-los pelas suas limitações ou nível de aprendizado, mas, sim, os
ajudando no que precisarem para crescer em Cristo. Saber lidar com o próximo é uma das
máximas do cristianismo.
Catarina Damasceno – Equipe de Estudos e Resumos.
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ESTUDO | Fé e Cidadania – Lição 12
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