Retrato da Corrupção, Voz da Justiça- Lição 01

(Miqueias 1;2)

“Ai daqueles que, no seu leito, imaginam a iniquidade e maquinam o mal! À luz da alva, o
praticam, porque o poder está em suas mãos. Se cobiçam campos, os arrebatam; se casas,
as tomam; assim, fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança.”
(Miqueias 2.1,2)

Durante quase toda a primeira metade do oitavo século a.C. Judá manteve-se subjugada ao
Reino do Norte (Israel), sob o forte governo de Jeroboão II (790-740 a.C.). Porém, quando
Uzias (767-740 a.C.) assumiu o trono da nação, conseguiu libertar do domínio nortista,
vencendo os filisteus e estendendo os termos de Judá para o sul até o Golfo de Ácaba.
Com a morte de Uzias, Jotão (740-732 a.C.) reinou em Judá por pouco tempo, tendo sido
substituído por seu filho Acaz (732-726 a.C.) que assumiu o governo num momento difícil.
Acaz foi um rei mau.
Por volta de 726 a.C. Ezequias (726-697 a.C.) foi entronizado no lugar de seu pai Acaz. Ao
contrário deste, Ezequias foi um rei temente ao senhor. Ele liderou uma reforma religiosa,
revertendo o quadro de rebelião da nação e a livrando de ser destruída com o Reino do
Norte.
As pregações de Miqueias foram proferidas durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias
(Mq 1.1), que governaram Judá entre 750 e 686 a.C. Miqueias foi contemporâneo do profeta
Isaías (Is 1.1). Porém, enquanto Isaías profetizava no palácio, Miqueias anunciava suas
mensagens no meio do “povão”. A maioria de suas profecias foi anunciada durante o
governo do rei Acaz, que foi um rei incrédulo e corrupto. Ele praticou a idolatria, chegando a
queimar seus filhos a deuses estrangeiros (2Rs 16.3,4). Durante o seu reinado, um altar
assírio foi construído no lugar do altar dedicado ao Senhor, sendo oferecidos sacrifícios nele
(2 Rs 16.10-18). As mensagens de Miqueias são dirigidas tanto ao Reino do Sul quanto ao
Reino do Norte (1.1). Ambas as nações são mergulhadas na corrupção e no pecado.
O profeta era um cidadão do reino do Sul, nascido em Moresete (1.1), perto de Gate, uma
pequena vila a uns 30 quilômetros de Jerusalém. As mensagens de Miqueias expressam o
ponto de vista de um camponês indignado com a corrupção e as injustiças sociais de sua
época, além de enfatizar que a santidade de Deus exige retidão da parte do seu povo.
Portanto, por ser santo, Deus também exige santidade da parte do seu povo. Não se pode
ter comunhão com Deus e levar uma vida de corrupção e exploração ao próximo. A
ausência desta realidade torna inevitável o juízo divino.
Primeiramente, o profeta dirige suas mensagens de ameaças e juízo contra o povo em
geral. A idolatria é o pecado condenado no meio do povo (v.2-7). Por isso, o Senhor está
irado e já não suporta mais essa situação (v.3-5). Como resultado, o juízo se aproxima na
forma de desolação e destruição (v].6,7).

A partir do versículo 8 é proferido um lamento por causa do pecado e pela destruição da
nação. Este pecado começou no Reino do Norte e contaminou também o Reino do Sul
(v.9). Portanto, o juízo viria contra ambos os reinos, que seriam levados ao cativeiro (v.16).
Quando não há humilhação e arrependimento da nossa parte diante do pecado cometido, o
juízo divino é o resultado inevitável.
No capítulo 2, Miquéias dirige as suas críticas e ameaças contra os ricos e poderosos da
nação. Além de viverem na prática da injustiça e do pecado, essas pessoas se sentem
seguras. Elas zombam da mensagem profética, em vez de se humilharem e se
arrependerem diante da Palavra de Deus (v.7-9).
Diante disso, o profeta declara que Deus não ignora nem está impassível diante da injustiça
praticada por estas pessoas. Nunca podemos pensar que o mal que praticamos ficará
impune. É engano pensarmos que temos imunidade para praticarmos a opressão e a
injustiça contra os outros. Precisamos ter certeza de que, no tempo certo, o Senhor se
levantará e porá fim ao mal e à injustiça. Diante do justo juízo do Senhor não há quem
tenha privilégio especial.

Conclusão: Não podemos nos desesperar diante da injustiça e do mal que observamos ao
nosso redor. Precisamos confiar que, a seu tempo, o Senhor fará justiça e punirá todos
aqueles que recorrem a estas práticas, por mais ricos e poderosos que sejam. Todavia,
aqueles que vivem uma vida de piedade e justiça, em Cristo, serão exaltados e
recompensados.
Catarina Damasceno – Equipe de Estudos e Resumos.


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