(Zacarias 5-7)
“Assim falara o Senhor dos Exércitos: Executai juízo verdadeiro, mostrai bondade e
misericórdia, cada um a seu irmão; não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro,
nem o pobre, nem intente cada um, em seu coração, o mal contra o seu próximo.”
(Zacarias 7.9,10)
Em 5.1-6.8 se encontram as três últimas visões que completam o total de oito visões
descritas em 1.7-6.8. De modo geral, elas descrevem o julgamento divino contra as nações
estrangeiras e a restauração do povo de Deus em sua própria terra. A primeira, das últimas
três visões, descreve um rolo volante que percorre toda a terra (Zc 5,1-4). O oráculo revela
o juízo do Senhor contra todos aqueles que praticam a maldade e proferem mentiras.
A penúltima das oito visões apresenta uma mulher dentro de um efa (espécie de barril
grande), (Zc 5.5-11). A visão simboliza a injustiça e a iniquidade prevalecente entre os seres
humanos.
A última visão revela quatro carros puxados por cavalos de cores diferentes (Zc 6.1-8). Eles
simbolizam os quatro espíritos enviados por Deus para vigiar e julgar toda a terra.
O juízo do Senhor virá especialmente contra a terra do norte (Mesopotâmia) de onde
procedem as invasões e opressões ao povo de Deus (v.8).
A coroação do sumo sacerdote Josué representa a união dos dois oficiais (o real e o
sacerdotal) em uma só pessoa (v.13). Ele é comparado a um renovo que brotará de entre
os exilados. Em Isaías 4.2 a figura do “Renovo do Senhor” tem uma conotação messiânica
e escatológica, referindo-se ao reino de paz a ser implantado no futuro. Jeremias (23.5;
33.15) liga o termo ao descendente de Davi que instaurará o reino de justiça e paz sobre a
terra.
Portanto, nesta passagem o sumo sacerdote Josué serve como um tipo e figura do Senhor
Jesus, o Rei-Sacerdote que viria para unificar os dois ofícios. De fato, o Senhor Jesus
unificou os três ofícios veterotestamentários: profeta, sacerdote e rei.
A pergunta a respeito do jejum feita aos sacerdotes, dá ocasião a uma mensagem profética
acerca da verdadeira motivação do jejum praticado pelo povo (v.4-7). O Senhor revela que o
jejum praticado pelo povo estava centrado em seus próprios interesses egoístas e não
realmente em Deus (v.5,6). Tal jejum era apenas um ato de autocomiseração pelo que havia
acontecido. Eles lamentavam a tragédia, mas não atentavam para o que tinha provocado: a
sua própria desobediência (v.7). O jejum, não poderia ser apenas uma prática de rotina,
mas, sim, como demonstração de verdadeira contrição diante do Senhor. Caso não
procedessem assim, tal jejum não teria qualquer utilidade espiritual.
Este e outros textos proféticos (Is 1.10-17; 58.1-14; Am 5.21-27) nos ensinam que Deus não
se interessa por meros atos litúrgicos praticados. O jejum ou a oração não são atos mágicos
que podem convencer Deus a fazer o que desejamos. Nossas práticas religiosas precisam
estar centradas em Deus, não em nós mesmos.
O profeta passa a proclamar o que Deus espera do seu povo. O Senhor deseja que o seu
povo compreenda que foi exatamente a ausência a esses mandamentos que trouxe o juízo
divino sobre a nação. O resultado de sua desobediência foi que o Senhor também se tornou
surdo aos seus clamores (v.13) e os espalhou como palha entre todas as nações da terra
(v.14). Semelhantemente a Miqueias 6.8, o Senhor anuncia que espera três ações da parte
do seu povo (v.9,10). As três ações elencadas por Zacarias estão no contexto das
inter-relações sociais.
A primeira prática é a execução do juízo verdadeiro; a segunda prática é a prática da
bondade e a terceira prática é a prática da misericórdia (Lc 19.10; 23.22; Dt 15.7,8;
24.14,15).
Portanto, a prática do jejum não tem valor como mera atividade litúrgica.
Conclusão: O Deus ao qual servimos sonda os nossos corações, a fim de analisar as
verdadeiras motivações e intenções do que fazemos. Ele é um Deus de justiça, amor e
verdade. Por isso, não admite que nossa relação com Ele se fundamente em meras
atividades religiosas, mas em uma vivência ética correta.
Catarina Damasceno – Equipe de Estudos e Resumos
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ESTUDO | Perfume Agradável ou Fumaça Vazia- Lição 09
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