VOZ QUE SILENCIA A VIOLÊNCIA – Lição 04

(Naum 1-3)


“O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder e jamais inocenta o culpado; o Senhor
tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés. O
Senhor é bom, é fortaleza no dia da angústia e conhece os que Nele se refugiam.”

(Naum 1.3,7)


Após a morte do rei Ezequias (726-697 a.C.), o estado espiritual e moral de Judá declinou
consideravelmente.

Manassés (697-642 a.C.) edificou os altares de Baal que seu pai havia destruído, levantou
os postes-ídolos que ele havia derrubado, profanou o templo e adorou deuses estrangeiros,
chegando a oferecer seus filhos em ritos pagãos (2Cr 33.1-11). O rei Amon (642-640 a.C.)
seguiu a mesma apostasia e idolatria do seu pai. Com o seu assassinato, Josias (640-609
a.C.) subiu ao trono com apenas oito anos de idade. Ele promoveu uma grande reforma
religiosa em Judá, livrando o país do juízo divino.

Nessa época, a Assíria já havia destruído a cidade de Samaria, levando os israelitas do
Norte como cativos para a Mesopotâmia. Na ocasião, os assírios proferiram blasfêmias
contra o Senhor, porém, diante da humilhação de Ezequias, Judá foi poupada da
destruição, mediante a intervenção divina (2Cr 32.1-23).

Os assírios ficaram famosos pela brutalidade e crueldade que dispensavam aos seus
adversários. Suas guerras eram conduzidas com extrema violência.

Assurbanipal (669-627 a.C.) foi o último grande rei assírio. Depois dele o império assírio
conheceu o seu declínio, culminando com a queda de sua capital Nínive, em 612 a.C.
O profeta Naum era natural de Elcós, provavelmente uma vila de Judá. Os oráculos de
Naum enfatizam o caráter universal do governo e da soberania de Deus. As profecias se
dirigem especificamente contra a Assíria, a potência dominante da época. O profeta anuncia
o juízo de Deus contra Nínive e seus habitantes. A mensagem central do livro é que, por ser
Santo, o Senhor não pode suportar o mal, seja ele de quem for (1.2,3,7,8; 3.1-7,18,19).

O principal objetivo da profecia foi consolar o povo de Deus com a certeza de que a tirania e
a violência sob a qual vivia findaria em breve. O poderoso império assírio, aparentemente
indestrutível, seria derrotado. O Senhor está no controle da história; e embora utilize as
nações para os seus propósitos, também as abate quando excedem em sua própria
arrogância, pecados e injustiça.

O capítulo 1 é um hino que descreve inicialmente a santidade e a majestade do Senhor. Ao
contrário do que se poderia pensar na época, o senhor não é Deus somente de Israel; seu
poder e domínio são universais, estendendo-se a toda criação (v.4-6). Embora o Senhor
seja misericordioso e perdoador, mas é também justo e, por isso, “[…] não inocenta o
culpado […]”(v.3). A Assíria é acusada de idolatria e de abrigar “o homem vil”, “que maquina
o mal contra o Senhor”, por isso seria exterminada da face da terra para sempre (v.14,15).
Com o anúncio da destruição de Nínive e o fim do império assírio, a profecia anuncia
também o fim da opressão para Judá (v,13). A soberania do Senhor se estende sobre todo
o universo.

A profecia se cumpriu de maneira exata. No ano 612 a.C., Nínive foi invadida e destruída
pelas forças militares babilônicas. Portanto, a Palavra do Senhor se cumprirá fiel e
completamente. Tanto as promessas de bênçãos quanto o anúncio de juízo virão sobre os
seus destinatários no tempo certo.

O Senhor anuncia as razões de impor tão severo castigo sobre Nínive e o império que ela
representava. Era conhecida como “cidade sanguinária” (v.1). Além disso, a cidade é
acusada de contaminar outras nações com sua idolatria e feitiçarias (v.4). Não há nenhuma
disposição à humilhação e ao arrependimento de sua parte diante do Senhor. Seu fim seria
tão completo que nunca se levantaria como nação, ninguém a ajudaria (v.7) e todos que
vissem o seu fim se alegrariam da sua derrota (v.19).

Conclusão: É nessa certeza que o povo de Deus encontra descanso: saber que a justiça
não depende da força humana, mas da santidade e soberania do Senhor.


Catarina Damasceno – Equipe de Estudos e Resumos


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